Maracanã: Quem foi Mário Filho, jornalista que dá nome ao estádio

O Globo
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Um Projeto de Lei publicado nesta quarta no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro rebatiza o Estádio do Maracanã para Edson Arantes do Nascimento - Rei Pelé. Na prática, significa que o nome original Jornalista Mário Filho passa a ser dado ao complexo esportivo (que conta ainda com o Parque Aquático Júlio Delamare, o estádio de atletismo Célio de Barros e o ginásio do Maracanãzinho) e o palco principal passa a homenagear o maior jogador da história do futebol brasileiro.

Ainda que passe a valer a partir do momento de sua publicação, o PL precisa ser votado no plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Mas, desde que veio a conhecimento público, já gerou polêmica entre a população. Alguns defendem deixar como está. Outros argumentam que, se for para dar o nome de um atleta ao estádio, que seja o de alguém com maior vinculação ao futebol carioca. E há, claro, quem concorde com a proposta.

Vale destacar que, se o PL for aprovado pela Alerj, não será a primeira vez que o mais famoso palco do futebol brasileiro será rebatizado. Em 11950, ele nasceu como Estádio Municipal Mendes de Moraes. Trata-se do prefeito da cidade à epoca de sua construção e inauguração. Os atrasos na obra, o rombo no orçamento e, por fim mas não menos importante, a derrota brasileira na final para o Uruguai geraram um desgaste político que levaram a retirada de seu nome. A partir daí, passou a ser Estádio Municipal do Maracanã. Até 1966, quando enfim virou o Estádio Jornalista Mário Filho.

Jornalista de O GLOBO entre as décadas de 1930 e 1940 e um dos criadores do Jornal dos Sports, em 1936, foi ele quem angariou (através de uma campanha maçiça em seu jornal) o apoio da opinião pública para a construção do então maior estádio do mundo no bairro do Maracanã. Antes de a obra sair do papel, havia uma briga política para decidir entre este projeto e o do então vereador Carlos Lacerda, que defendia uma obra de menor porte em Jacarepaguá.

Mas a importância de Mário Filho vai muito além. O pernambucano foi uma espécie de empreendedor do esporte. Foi ele quem criou o Torneio Rio-São Paulo e a Copa Rio, torneio internacional disputado entre os vencedores dos campeonatos paulista e carioca e campeões nacionais sul-americanos e europeus. Também pôs de pé os Jogos da Primavera, espécie de Olimpíada carioca disputada por atletas de clubes e de colégios. A autoria do apelido Fla-Flu para o clássico foi a cereja do bolo de suas criações.

Influente entre presidentes da república, dirigentes de clubes e jogadores de futebol, Mário Filho foi, na primeira metade do século XX, mais ilustre do que seu hoje consagrado irmão, o dramaturgo Nelson Rodrigues. Morreu em 1966, aos 58 anos, vítima de um ataque cardíaco. O batismo do estádio com seu nome ocorreu um mês depois, como forma de homenagem.