Maradona: governo estende velório até as 19h; cerimônia tem longas filas e confusão com a polícia

Luciana Taddeo e Marcello Neves
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A maior forma possível de devoção esportiva. A morte de Diego Armando Maradona, aos 60 anos, devido a parada cardiorrespiratória, levou mais de 1 milhão de pessoas ao velório do craque argentino, segundo veículos de imprensa locais. A cerimônia acontece na Casa Rosada, sede da presidência argentina em Buenos Aires, e foi marcada por longas filas e confusão entre fãs e policiais. Devido ao contingente inesperado de público, o governo estendeu o horário de visita do público até as 19h.

No início da tarde, a polícia local decidiu fechar a Avenida 9 de julho mais cedo do que o esperado — por volta das 14h. Isso causou longas filas e revolta nos fãs que estavam no local e temeram não conseguir chegar ao ídolo.

Os policiais tentaram dispersar os fãs que entravam na longa fila, que se estendia por mais de 25 quarteirões, e a resposta veio através de objetos arremessados contra o agrupamento. Duas grandes correrias foram registradas junto a um cordão de isolamento com escudos, gás lacrimogêneo e balas de borracha lançadas na direção da multidão.

Grades foram derrubadas. Aos poucos, o efetivo policial conseguiu controlar o conflito. Porém, muitos fãs reclamaram de que algumas pessoas aproveitaram para furar a fila, o que gerou novos focos de confusão. Após confusão, o período do velório foi estendido.

Na porta da Casa Rosada e dentro do palácio do governo, o clima foi de tranquilidade. A orientação foi para que os fãs respeitassem a fila e as orientações dos seguranças para que não parem em frente ao caixão e deem continuidade ao fluxo da fila de espera. Também era obrigatório o uso de máscaras devido a pandemia da Covid-19.

As camisas do Boca Juniors são maioria entre os torcedores presentes. Alguns fãs mais emocionados param chorando em frente ao caixão. Segundo Abel Martinez, diretor de emergências e desastres da Cruz Vermelha argentina, houve cerca de 20 atendimentos nos dois postos da organização. A maioria por tumultos, insolação e empurrões.

Médico pessoal de Diego Maradona, Leopoldo Luque, evitou dar declarações na chegada ao velório do ex-jogador. Ele esteve ao lado do 'Pibe' no começo do mês, quando ele foi internado e passou por uma cirurgia no cérebro.

— Profundo pesar — disse Luque, que preferiu não responder aos questionamentos da imprensa.

Luque chegou de moto à Casa Rosada e tentou acessar o local. Porém, como o acesso de veículos está vetado, ele foi redirecionado a um estacionamento do lado de fora.

O advogado de Diego Maradona, Matías Morla, usou as redes sociais para postar uma acusação de demora no socorro ao craque por parte do serviço de saúde da Argentina. Em comunicado, Morla diz também que é "inexplicável" que Maradona não tenha tido atenção durante 12 horas do pessoal de saúde destinado a cuidar dele.

A autópsia concluiu que a causa da morte foi por insuficiencia cardíaca, que gerou edema agudo no pulmão e um mal súbito.

Um funcionário da funerária que preparou o corpo de Diego Maradona foi demitido após fotos ao lado do corpo viralizarem nas redes sociais. Ele aparece ao lado do caixão aberto, tocando o rosto do astro do futebol argentino. O dono da funerária argentina pediu desculpas à família de Maradona.

A imagem de Molina fazendo sinal de positivo, com o caixão aberto, enquanto tocava o rosto de Maradona começou a viralizar no final da manhã de quinta em diversos perfis no Twitter e em grupos do WhatsApp. Dugout Maradona

A ex-mulher do jogador, Rocío Oliva foi barrada na cerimônia íntima do velório de Diego Maradona. A apresentadora, que esteve ao lado do craque até 2018, disse ter sido proibida pela primeira esposa do camisa 10.

"Me disseram para voltar às 7h, quando virá todo mundo. Disseram que Claudia (Villafañe) não queria que eu entrasse. Ela teria dito que não tinha nada a ver (a minha presença). Eu só queria me despedir", disse Rocío, com a voz embargada, ao canal "Todo Notícias".

Há uma briga familiar entre Rocío, Claudia e as primeiras filhas de Maradona. Publicamente, Dalma e Giannina acusaram a ex-madrasta de não cuidar direito do pai. Na época, o jogador saiu em defesa da então namorada e discutiu publicamente com as filhas.