Maratona de blocos de rua exige preparação; especialistas dão as dicas

Thaís Sousa
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Jorge Ricardo dos Santos e Rafael Feler são maratonistas

RIO — Tem que se preparar e manter o ritmo — de preferência queimando a largada no pré-carnaval. Quando a folia chega, milhões de cariocas viram atleta e mostram que não falta fôlego para encarar a maratona momesca. Afinal, com centenas de blocos de rua, elevar o rendimento é indispensável. Mas especialistas alertam: é preciso cuidar da saúde para chegar bem à Quarta-Feira de Cinzas.

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Jorge Ricardo dos Santos, o Kadinho, como é conhecido, se intitula “maratonista de carnaval”. E os números mostram que errado ele não está. Em 2018, o carioca da Rocinha conquistou a incrível marca de 42 blocos. Ano passado, dores no joelho reduziram a lista a 40.

Para encarar a maratona de 2020, ele já está em preparação intensa. Fisioterapia e acupuntura, para recuperar o joelho, fazem parte da rotina de treinos de Kadinho antes de se entregar ao carnaval. Já a natação melhora o condicionamento físico. Nos dias de folia, até com a alimentação esse folião consciente se preocupa.

— Eu almoço logo pela manhã. Como arroz, salada de alface, frango grelhado e tomo suco de abacaxi com hortelã. Ou, então, tomo um café da manhã de novela, com muitas frutas, pão de forma, leite com achocolatado e iogurte — relata.

 

Folião de carteirinha, Jorge prefere diminuir o consumo de álcool durante o carnaval para não perder o ritmo. Principalmente depois de um coma alcoólico após o Bloco da Favorita, em 2015. O episódio rendeu uma noite na enfermaria e o trauma de beber demais.

— Cervejinha, só uma no fim do bloco e com a consciência pesada. Já bebi muito, mas depois de 2015, fiquei traumatizado — relembra.

O pique de Kadinho deixa até atleta de queixo caído. Enquanto se prepara para a Maratona do Rio, o economista Rafael Feler, de 32 anos, também faz planos para a folia. Mas, apesar de correr 42km em provas de rua, Feler nem pensa em pular o carnaval em 42 blocos.

— Eu aproveito bem. Chego a 15, 20 blocos, mas 42 não tem como — diverte-se o economista, que já correu maratonas em Santiago e Nova York.

A preparação de Feler se intensifica a poucos meses de cada prova:

— Mantenho uma rotina de treinos durante o ano inteiro, com alguns curtos e outros longos. De três a quatro meses antes da prova, começo a esticar mais.

Como ninguém é de ferro, ele pretende fazer sua própria maratona de blocos. Aí, fica difícil manter o mesmo ritmo do resto do ano e, como folião, o economista precisa se adaptar.

— A alimentação nunca é tão boa quanto para uma corrida. Acabamos comendo o que dá, e normalmente o que aparece é comida pouco saudável. O importante é ter a mesma atenção na hidratação, principalmente no calor de fevereiro — ressalta Feler, que, no entanto, faz algumas concessões no período de folia: — Cerveja no bloco sim, alivia o calor. Mas tem que compensar com água. E evitar o excesso para não desidratar demais.

 

Especialistas concordam com o atleta: álcool não é lá muito amigo da folia, e se alimentar direito é essencial.

— Cerveja não hidrata. Só a sem álcool — alerta a nutricionista Roberta Lima, aconselhando os foliões a levarem snacks e lanchinhos de casa: — Oleaginosas, frutas secas e barras de nuts são boas opções.

 

Já o educador físico André Leta diz que usar tênis de corrida ou caminhada, se alongar e dormir bem devem fazer parte da vida do folião maratonista.

— Tem que repor energia, se hidratar, dormir bem e fazer uma boa refeição — avisa Leta.

A cobertura do carnaval de rua do jornal EXTRA tem apoio de Ame Digital.