Maratona do Rio: Danielzinho mira mais um recorde sul-americano e vislumbra a marca mundial

Envolto por seguranças, Daniel Nascimento corria contra o tempo para dar conta de todos os compromissos antes do treino. Depois da palestra sobre a construção de um campeão tinha os minutos contados. Uma rápida demonstração de velocidade no estande de ativação da patrocinadora, poses para a reportagem e gravação da TV.

Ao redor, as pessoas, que o reconheciam prontamente, se aproximavam para vê-lo mais de perto, tentar uma foto ou um autógrafo.

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Entre o sorriso no rosto e um olhar até mesmo assustado, o melhor maratonista sul-americano da atualidade, atrás apenas dos africanos, se espantou com o momento pop star vivido na Casa da Maratona, espaço da Maratona do Rio, que acontece neste fim de semana. Neste sábado, a partir das 6h30, será a largada para os 21 km e amanhã acontecerá as provas de 5 km, 10 km e a tradicional, de 42 km. Danielzinho, como é conhecido, vai correr a meia-maratona.

—Para mim, isso tudo está sendo muito novo. Jamais pensei que eu ia chegar aqui e ver toda essa energia em volta de mim. No avião, vindo da África, eu estava imaginando como seria a prova, lá estou o tempo todo focado nos treinamentos. Estou até um pouco nervoso — diz o maratonista, que treina no Quênia, berço dos maiores fundistas do mundo.

O nervosismo se explica. Até dois anos e meio atrás, Danielzinho ainda estava na roça no interior de São Paulo, após desistir da carreira de fundista. Incentivado pela mãe, retornou às pistas e viu a vida mudar. Hoje, ele compete os 21km com status de estrela e convidado pela patrocinadora do evento. O objetivo é claro: bater o recorde sul-americano de 59min33 de Marilson dos Santos, que perdura desde 2007.

Marca que não será nada surpreendente depois dos últimos feitos de Danielzinho nos 42 km. O jovem de 23 anos é o maratonista não africano mais rápido de todos os tempos. Em abril, ele terminou em terceiro lugar a Maratona de Seul , com o tempo de 2h04min50s, recorde brasileiro e sul-americano, superando a marca estabelecida por Ronaldo da Costa (2h06min05s), em 1998, que chegou a ser recorde mundial.

Até ele se espanta com a rapidez dos acontecimentos. Mês passado, comemorou — com direito a bolo e tudo — um ano da primeira maratona. Sua estreia foi no Peru, em maio de 2021, cuja vitória lhe deu a vaga em Tóquio e, até então, o quinto melhor tempo sul-americano.

Das quatro maratonas disputadas, só não terminou no Japão. Ele chegou a liderar a prova e a correr ao lado do ídolo Eliud Kipchoge — mostrando ao mundo a pulseirinha com as cores das bandeiras do Brasil e do Quênia, onde ele fez a preparação para Tóquio. Mas abandonou ao ter uma baixa de glicose.

— Fui para o Quênia no meio da pandemia me preparar para maratona. Lá, eles me observaram, viram meus treinamentos e foco. Mas tinham dúvidas: “Será que esse menino tem potencial? Quando fiz a segunda melhor marca sul-americana (em Valência, em 2021), disseram: “Será que ele pode repetir de novo?” Isso virou um desafio e acabei me motivando cada vez mais — afirma o maratonista, que tem como principal meta do ano o Mundial de Atletismo, em julho, nos Estados Unidos.

O crescimento do paulista é um ponto fora da curva pela pouca idade. Correr uma maratona requer controle mental superdesenvolvido. Algo conquistado com os anos. Porém, o potencial do atleta é algo de conhecimento do mundo do atletismo. Ainda na base, os testes feitos pelo COB já apontavam o futuro promissor.

Foi nisso que Danielzinho se apegou. Preparou o corpo de fundista nas pistas e vem treinando a mente com os livros. Costuma ler histórias de superação e biografias de quem tem como exemplo, caso do ídolo Ayrton Senna.

— Sempre coloco um pouco dos momentos difíceis que passei na vida como motivação para seguir e faço esse treinamento de foco com os livros. Agora estou lendo a biografia do Barack Obama. Mostra como só uma pessoa tem a responsabilidade de direcionar o caminho de milhares de pessoas, de manter a esperança delas com certas atitudes. São qualidades que estou tentando trabalhar para mim — declara Danielzinho.

Provas e percursos

Depois de ser disputada em novembro do ano passado, por causa da pandemia e cheia de restrições, a Maratona do Rio voltou ao mês de junho e com estrutura ainda maior, com shows e palestras ao longo do fim de semana, na Marina da Glória.

Neste sábado, será a prova de 21 km, com largada do Leblon, às 6h30, e chegada no Aterro do Flamengo. Além de Danielzinho, a corrida terá outra presença ilustre: o ex-jogador Kaká.

No domingo, será a vez das provas de 5 km e 10 km, ambas no Aterro do Flamengo, com largada às 9h e às 8h, respectivamente. Já 42 km larga às 6h também do Aterro, com percurso que passa pela zona portuário do Rio, retorna pela orla até o Leblon, e chega no Aterro.

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