Marca de 300 mil já é 67% maior do que a projeção mais pessimista do governo

Rafael Garcia
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Um ano e sete dias após o registro da primeira morte por Covid-19, o Brasil chegou ontem a 301.087 óbitos pela doença. A marca de 300 mil já é 67% maior do que a projeção mais pessimista do Ministério da Saúde um ano atrás, quando Júlio Croda, ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do ministério, estimou que o Brasil poderia atingir 180 mil óbitos. O epidemiologista Wanderson Oliveira, ex-secretário de vigilância em saúde no ministério, considerava a marca um exagero:

— Qualquer pessoa com o mínimo de espírito humano faria de tudo para para isso não se concretizar.

Ele havia desenhado um plano de testagem para Covid-19 no país, não adotado:

— Para cada caso confirmado, fizemos de um a dois testes, enquanto o Chile faz 11, os EUA fazem 12.

A marca de 300 mil mortos foi atingida na semana em que o presidente da República empossou seu quarto ministro da saúde. Especialistas responsabilizam a atuação do governo federal pelo número, por ignorar o que a ciência recomenda. O país registrou ontem 2.244 mortes pela doença, em meio a uma escalada acentuada nos números.

Croda afirma que o primeiro erro do presidente foi bloquear política nacional de distanciamento social.

— Nós queríamos dividir o Brasil em regiões de saúde e ter indicadores epidemiológicos associados a medidas restritivas. Isso não foi feito, e foi o grande motivo de eu ter saído do ministério.

A epidemiologista Ethel Maciel estava entre os consultores do plano nacional de vacinação, cujas recomendações foram ignoradas.

— Se ouvisse a ciência, o governo teria feito o acordo com a Pfizer para 70 milhões de doses e o contrato com o Butantan mais cedo, teria ido atrás da Janssen. Não chegamos a 300 mil por acaso.