Marca de acessórios mergulha na estética dos anos 2000

Eduardo Vanini

Rayanne Dias viveu os anos 2000 como grande parte das garotas da sua geração. “Fui uma criança que cresceu na frente da TV, vendo Sandy & Junior, me vestindo como a Kelly Key e usando tamanco da Carla Perez. Só que todo mundo superou isso, e eu não”, conta a estudante de Publicidade, de 24 anos. E se os novos, digamos, ventos da moda tentaram soprar essa estética rosa-chiclete para algum lugar do passado, Rayanne não se deu por vencida e criou a Manalisa, uma marca de acessórios feitos com miçangas de plástico combinadas a frases divertidas que conquistou as cariocas descoladas.

No catálogo estão pulseiras, colares e tererês (quem nunca?). A própria concepção veio do passado. O espírito empreendedor de Rayanne deu seus primeiros sinais de existência ainda nos tempos de escola, quando ela começou a vender produtos de miçanga às colegas. Ao revirar o baú de memórias, a jovem resolveu reativar o negócio para aquecer o orçamento. “O nome Manalisa é uma brincadeira, como se fosse uma ‘mana’ sem grana e, portanto, ‘lisa’, tentando ganhar um dinheiro”, conta a petropolitana, que toca o negócio sozinha e faz as vendas pela conta @man4lisa, no Instagram. “Deu certo. Hoje consigo pagar a minha faculdade com as vendas.”

O ano de 2019, segundo ela, foi quente em vendas. Afinal, até Sandy & Junior voltaram aos palcos para uma disputada turnê. “Costumo brincar que antecipei essa tendência. Quando cheguei, era tudo mato”, comenta ela, que criou a marca há dois anos.

Mas nem só de passado vive a mana. A atualização fica a cargo das frases e palavras que decoram os colares, sintonizadas com o feminismo contemporâneo. “Piranha”, “fé na deusa” e “xoxota power” estão entre as combinações de letrinhas mais pedidas, segundo Rayanne, que batizou a última coleção como “Eu cresci e agora sou mulher”, em referência ao clássico verso cantado por Sandy.

Aqui, o passado não condena ninguém.