Marcas lançam cílio colorido, quimono e quepe para o Carnaval

HELOÍSA NEGRÃO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Saem as tiaras de unicórnio e sereia, entram os quepes, franjas e quimonos bordados. Marcas de roupa especializadas em figurinos para o Carnaval já lançam suas coleções 2020 de olho no calendário estendido das festas.

"O nosso público é apaixonado por Carnaval e está disposto a gastar em produções diferentes para se destacar da multidão dos blocos", afirma Heloíza Romão, 25, que começou vendendo as tiarinhas de unicórnio. Hoje, sua loja El Gato monta coleções para o ano todo.

Para manter a clientela, é importante pensar em novidades. "Lembra do short dourado? Vendemos muito dele no ano passado. Agora já está batido, ninguém mais quer."

No lugar do item, a empresária lançou peças com tecidos holográficos e quimonos bordados para serem usados por cima de tops e hot-pants (calcinha de cintura alta).

As tiaras devem vir com fitinhas de paetê penduradas nas laterais. Com inspiração nos festivais internacionais de música, o quepe decorado é outro item deste Carnaval.

Romão diz que a peça, contudo, tem margem de lucro pequena. "A base dela vem da China e, com o aumento do dólar, ficou mais cara." Em sua loja, o quepe custa R$ 170.

Os foliões vão buscar roupas versáteis para o Carnaval de 2020, de acordo com Livia Fioretti, analista de tendências responsável pela América Latina na consultoria de pesquisa e consumo TrendWatching.

"Existe uma mudança da perspectiva de consumo de moda, de comprar menos." Outra tendência é a busca por produtores locais, o que favorece marcas menores.

No ano passado, as vendas dos bodies de telinha transparente com aplicações sobre a região dos seios venderam tanto que fizeram com que a estilista Duda Carvalho, 22, se mudasse de João Pessoa para São Paulo com sua marca, a Carnavália.

"O Carnaval de São Paulo não tem um repertório muito grande de fantasias, então as pessoas estão animadas para se montarem", afirma Carvalho, que espera triplicar o faturamento nas festas deste ano, para R$ 65 mil.

Ela contratou uma equipe com costureiras, bordadeiras e modelista. Nas duas coleções anteriores, cuidou sozinha da produção.

Além dos bodies bordados, a Carnavália terá peças com fru-frus de tule e franjas, uma homenagem aos anos 1920. Um conjunto de top e calcinha, feito de fru-fru em tons quentes, é o mais buscado. Custa R$ 650.

A empresária Mayara Bitencourt, 32, dona da Polêmica, aposta no tapa-seios em formato de concha.

A marca, especializada nesse tipo de acessório, nasceu em outubro passado, após Bitencourt, que é advogada e dançarina de pole dance, receber pedidos de colegas de dança para um modelo que usou em uma apresentação.

Desde então, Bitencourt diz ter vendido 60 pares. Ela oferece os produtos em uma conta no Instagram e deve inaugurar um site próprio neste mês.

"Vou levar o tapa-seio nos ensaios de Carnaval aqui de Porto Alegre. Acredito que eu vou vender bem nessa época", afirma a empresária, que estima um faturamento mensal de R$ 5.000.

Outra aposta da marca são os modelos com as estampas das bandeiras LGBT e trans.

Febre absoluta nos salões em 2019, o alongamento de cílios ganhou neste ano uma versão carnavalesca.

A empresária Renata Bahia, do Centro das Sobrancelhas, oferece em sua loja opções de pelinhos dourados e coloridos, que podem ser usados sozinhos ou misturados aos fios pretos.

Ela diz que durante o Carnaval dobra a procura pelo alongamento, que vai de 15% a 30% do faturamento do espaço. Agora, com a versão colorida, mira uma clientela mais jovem. Os cílios duram até 20 dias, e a colocação custa de R$ 130 a R$ 240.

A rede também vai oferecer um curso sobre a aplicação dos cílios coloridos para outros profissionais do setor.

COPOS DE GELO

O empresário Alexei A. Galasso, 30, quer lucrar oferecendo comodidade aos foliões paulistanos. Sua marca, a Ice Cup, vende copos de plástico com gelo filtrado a R$ 2,50.

O copo, de 500 ml, vem com um lacre de alumínio, semelhante ao dos iogurtes, e uma tampa plástica para facilitar seu transporte pelos blocos de rua da cidade.

Eles ficam armazenados nas geladeiras de bares, lanchonetes, armazéns ou postos de gasolina. O público principal são os consumidores de bebidas destiladas.

O teste inicial da marca foi no último Carnaval. A empresa terminou o ano com 220 pontos de vendas em São Paulo e faturamento de R$ 200 mil, um terço do investimento inicial de Galasso.

A meta para 2020 é chegar em mil pontos. Só para os dias de folia, o empresário espera vender 100 mil copos.