Marcel Powell e Armandinho levam para o Rival show do disco 'Baden tribute', feito pelos dois em parceria inédita

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Marcel Powell conta que seu pai, Baden Powell (1937-2000), fez poucas canções homenageando alguém. Das poucas que fez, uma foi para Armandinho Macêdo — ícone da guitarra baiana, ex-integrante da banda A Cor do Som e filho de Osmar Macêdo que, com Adolfo Antônio do Nascimento, o Dodô, criou o conceito de trio elétrico no carnaval. A música de Baden, "Um abraço no trio elétrico", foi resgatada por Marcel depois que ele e Armandinho estreitaram os laços. O encontro aconteceu em 2019, em Salvador. O que era pra ser apenas uma participação de Armandinho em uma apresentação de Marcel, virou show dos dois. E o show virou disco, "Baden Powell tribute", lançado em maio do ano passado. Agora, Marcel Powell e Armandinho apresentam pela primeira vez o resultado deste trabalho no Rio de Janeiro, no palco do Teatro Rival, neste sábado (30).

— Eu sou muito de ouvir os artistas que eu admiro, e o Armandinho é um deles. Um dos discos mais marcantes que ganhei foi "Retocando o choro”. Foi quando minha admiração por ele começou, em 2004. Pra mim, o Armandinho é o primeiro cara do bandolim que estabeleceu uma linguagem diferente depois do Jacob do Bandolim. Pra mim, dividir um trabalho com ele é realizar um sonho — diz Marcel, por telefone.

O repertório do disco, em homenagem a Baden, tem clássicos do violonista feitos em parceria com Vinicius de Moraes, como "Canto de Ossanha", "Deixa", "Samba em prelúdio" e "Berimbau". No show, a dupla adicionou outras canções, como "Lamentos" (Pixinguinha e Vinícius de Moraes) e "Noites cariocas" (Jacob do Bandolim), além de "Taiane", de Osmar Macedo, pai de Armandinho, e "Abraço pro Baden", feita em parceria pelos dois músicos. Marcel se diz "nas nuvens" com o novo parceiro e diz que misturar estas duas escolas do instrumento tem sido um aprendizado.

— Os ensaios eram aulas super criativas, eu querendo que ele botasse a coisa dele, querendo absorver. Fico numa postura mais de fã do que de parceiro. Ele quis retribuir a canção que meu pai fez e sugeriu da gente fazer a música juntos, "Um abraço pro Baden". Graças a Deus quis se tornar meu parceiro — brinca o músico de 39 anos. — Eu fiz a primeira parte e ele completou. Quando entra a parte dele, fica muito nítido que é o Armandinho, é aquela assinatura. Quando ele bota a mão, bota aquele selo que é só dele, você fica com mais vontade de ouvir.

Passados 20 anos da morte de Baden Powell, Marcel relembra lições que carrega do pai e professor:

— Guardo principalmente a disciplina que ele me passou. Eu o via com 50 anos de carreira sentando todos os dias para estudar. E a coisa da sonoridade do violão, ele falava muito sobre isso. Tudo tinha que ter o resultado na sonoridade. Quando você ouve meu pai, o lance não é necessariamente o fraseado que ele usa, mas sim o som do violão dele. Era um negócio muito sério. E tem uma outra coisa, que é mais do plano espiritual. No final da vida, ele se tornou cristão. E me passou isso de uma forma muito leve, nunca de maneira impositiva. Sou grato por isso e carrego comigo esse legado da fé — diz Marcel Powell.

Teatro Rival: Rua Álvaro Alvim 33/37, Cinelândia - 2240-4469. Sáb, às 19h30. R$ 35 (com 1 kg de alimento) e R$ 70. Não recomendado para menores de 18 anos.

Ouça o disco "Baden tribute", de Marcel Powell e Armandinho:

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