Marcelo Crivella trocou chip de telefone e entregou aparelho de outra pessoa durante investigação, afirma MP

Felipe Grinberg, João Paulo Saconi e Vera Araújo
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RIO — Em sua denuncia oferecida contra Marcelo Crivella, preso nesta terça-feira, o Ministério Público afirma que o prefeito entregou ao oficial de Jusitça um aparelho celular de outra pessoa e com um chip antigo. A manobra teria sido feita na operação Gades, em setembro, quando houve um pedido de busca e apreensão em sua residência.

"Marcelo Crivella troca de número de telefone pelo menos três vezes ao longoda investigação, sendo certo que no dia da deflagração da segunda fase daOperação Hades, o mesmo inseriu um CHIP antigo em um aparelho de outrapessoa e o entregou ao oficial de justiça que presidia a diligência, com oinequívoco intuito de obstruir e, mais uma vez, dificultar ao bom andamento dainvestigação"

Na ocasião, Marcelo Crivella, recusou-se a fornecer aos investigadores do Ministério Público do Rio e da Polícia Civil a senha do seu aparelho celular apreendido durante a operação. Ele argumentou que o código também é utilizado em outros dispositivos. Os investigadores, então, solicitaram que o prefeito assinasse um termo, segundo informou ao GLOBO um dos presentes na operação na época. Procurado, Alberto Sampaio Júnior, advogado de Crivella, disse que partiu dele próprio a instrução para não revelar a senha.

Crivella ligou para empresário suspeito no dia da primeira operação, mas delegado atendeu

Um episódio casual vinculou o prefeito Marcelo Crivella ao empresário Rafael Alves, personagem central do suposto esquema de pagamento de propinas na administração municipal. Na primeira fase da Operação Hades, no dia 10 de março, no momento em que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e a Polícia Civil cumpriam mandados de busca e apreensão na Riotur, apontada como balcão de negócios, e em outros endereços, Crivella ligou para Alves, irmão de Marcelo Alves, ex-presidente do órgão. A cena foi filmada pela polícia na casa do empresário.

O celular de Rafael, ao tocar, foi prontamente atendido. Ao ouvir um “alô”, Crivella perguntou o que estava acontecendo na Riotur. Mas quem atendeu não foi empresário, mas um dos delegados da operação, Clemente Nunes Machado Braune, da Coordenadoria de Investigações de Agentes com Foro, que se identificou e explicou o que ocorria. O prefeito desligou rapidamente. O celular foi apreendido na ocasião.