Marcelo Odebrecht é demitido pelo pai após acusá-lo de levar empresa à falência

Foto: HEULER ANDREY/AFP via Getty Images

Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira que leva o nome da família, foi demitido pelo pai, Emílio Odebrecht, nesta sexta-feira (20), segundo a revista Veja. A demissão por justa causa teria sido motivada pela divulgação de e-mails trocados por ele.

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Na quinta-feira (19), a Folha de S.Paulo revelou que, em e-mails encaminhados a familiares e diretores da Odebrecht, Marcelo acusa o pai de ter levado a empresa da família à falência por meio de uma série de decisões erradas.

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Segundo a Veja, Emílio, que preside a Kieppe, holding que comanda a Odebrecht, mandou um advogado avisar o filho em São Paulo sobre a demissão, executada pelo atual presidente da empresa, Ruy Sampaio. Marcelo, porém, continua como acionista. Ele já estava afastado da presidência desde 2015.

Ainda que não afirme diretamente, Marcelo coloca na conta de Emílio muitos dos erros que teriam levado à recuperação judicial da Odebrecht, sobretudo por omissão. Filho e pai romperam relações quando Marcelo ainda estava cumprindo pena em Curitiba, preso pela Lava-Jato.

Em um dos emails, Marcelo questiona uma operação feita por Emílio. Segundo ele, o pai teria esvaziado a Kieppe, holding familiar controladora da Odebrecht, ao adquirir para si fazendas avaliadas em R$ 600 milhões e ter feito o pagamento com ações da Kieppe, e não com seus próprios recursos.

Marcelo diz num texto que as ações da Kieppe "tinham um valor totalmente questionável desde 2016 e hoje não valem praticamente nada".

O pai, segundo Marcelo, ainda teria utilizado o seu poder no comando para nomear executivos que tinham "conflito de interesse". Na avaliação dele, os escolhidos não focavam a gestão dos negócios e, muitas vezes, tomavam decisões em benefício próprio e em prejuízo à Odebrecht.

Marcelo questiona em particular a escolha de Sampaio para assumir o conselho de administração do grupo e, mais recentemente, o cargo de diretor-presidente, argumentando que o executivo atua em favor dos interesses de Emílio e de seus próprios, inclusive para evitar investigações que poderiam incriminá-lo.

Em um dos emails, Marcelo relata para um grupo de diretores, incluindo a de compliance, Olga Pontes, que "existem evidências fortes, inclusive registros no My Web Day e Drousys [sistemas usados pela empresa para gerir o pagamentos de propinas], de que RLS [sigla para Ruy Lemos Sampaio], o representante escolhido pelo mandatário [Emílio Odebrecht], recebeu ou intermediou pagamentos indevidos. Isto entre outros fatos, como de obstrução à Justiça, que precisam ser urgentemente apurados".

Para Marcelo, "a troca do escritório de advocacia americano contratado pela Braskem parece ser também parte da estratégia (ou do ‘efeito cascata’) de ações para obstruir as investigações".

Marcelo afirma ainda que foi esse fato "a principal causa para a deterioração econômica da Odebrecht ocorrida desde 2015 e que acabou por conduzir a Odebrecht S.A. e várias de suas controladas à grave situação financeira atual com quase todas as empresas em recuperação judicial ou extrajudicial".

A empresa firmou um acordo de colaboração com o DoJ em dezembro de 2016, e o departamento tornou público parte das delações, expondo negociações de propinas em vários países que a empresa atuava.

Com Folhapress.