Vice-presidente da Câmara aponta ‘acordão’ e pede a Bolsonaro veto total ao fundão

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Vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos, conduziu sessão que aprovou fundo eleitoral (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos, conduziu sessão que aprovou fundo eleitoral (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
  • Vice-presidente da Câmara aponta ‘acordão’ do Planalto com Centrão para aumentar fundo eleitoral para R$ 4 bi

  • Deputado Marcelo Ramos pediu, no Twitter, que presidente Jair Bolsonaro vete o trecho da LDO que prevê o aumento

  • Bolsonaro acusou o vice-presidente da Câmara de ser o responsável pelo aumento do fundo eleitoral

Acusado pelo presidente Jair Bolsonaro de ser o responsável pelo aumento do fundo eleitoral, o vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou nesta terça-feira (20) que, “depois de toda a fanfarronice, [o presidente] está armando um acordão pra dobrar o valor do fundo e passar para R$ 4 bilhões”.

No Twitter, o parlamentar sugeriu que o chefe do Executivo vete integralmente o aumento das despesas relacionadas ao fundo eleitoral.

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O Palácio do Planalto tem articulado um acordo com o Centrão para diminuir o fundão para as eleições de 2022 de R$ 5,7 bilhões, aprovados na Lei de Diretrizes Orçamentárias, para R$ 4 bilhões. O valor anterior era de R$ 2 bilhões.

“Presidente Bolsonaro. Acordão de R$ 4 bilhões, não! Vete total! Cumpra sua palavra! E não espere o último dia do prazo, não! Vete hoje e devolva pro Congresso, porque aí o voto é obrigatoriamente nominal!”, escreveu Ramos.

Em entrevista na noite de segunda, Bolsonaro indicou que pode vetar o aumento. "Posso adiantar para você que não será sancionada, afinal de contas, eu tenho que conviver em harmonia com o Legislativo, e nem tudo que eu apresento ao Legislativo é aprovada e nem tudo que o Legislativo aprova vindo deles, eu tenho a obrigação de aceitar do lado de cá", declarou.

Em entrevista coletiva no domingo ao deixar o hospital em São Paulo onde estava internado, o presidente disse que o "responsável por aprovar isso daí é o Marcelo Ramos".

Bolsonaro disse que o Parlamento "descobriu" o problema e tentou fazer a votação de um destaque sobre o fundo eleitoral, mas, na avaliação do presidente, Ramos "atropelou, ignorou, passou por cima e não botou em votação o destaque".

“Os parlamentares aprovaram a LDO. É um documento enorme, com vários anexos. Tem muita coisa lá dentro. Muitos parlamentares tentaram destacar essa questão [fundo eleitoral]. O responsável por aprovar isso é o Marcelo Ramos lá do Amazonas. Ele que fez isso tudo. Se tivesse destacado, talvez o resultado teria sido diferente. Então, cobre, em primeiro lugar, do Marcelo Ramos”, disse.

Marcelo Ramos rebateu a crítica e afirmou que Bolsonaro corre de suas responsabilidades e obrigações.

“Se depender do Bolsonaro, ele não é responsável por nenhuma das mais de 530 mil pessoas mortas na pandemia, nem por 15 milhões de desempregados, nem por 19 milhões de brasileiros com fome, nem mesmo pela escandalosa tentativa de roubo na compra de vacinas”, pontuou.

Além da base aliada ao governo ter votado a favor do aumento do fundão, o vice-presidente da Câmara destacou que os filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) votaram favoravelmente à proposta.

Marcelo Ramos também pediu na segunda-feira cópia de todos os pedidos de impeachment protocolados na Câmara para fazer uma "análise política" sobre o assunto.

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