Marceneiro e vigilante mortos em ações da PM serão enterrados nesta quinta

Rafael Nascimento de Souza
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RIO — Vão ser enterrados na tarde desta quinta-feira, no Rio, os corpos dos dois trabalhadores baleados entre a noite de segunda-feira (26) e a manhã desta terça-feira (27) em trocas de tiros entre a Polícia Militar e traficantes pela cidade.

Denis Francisco Paes, de 46 anos, tinha cinco filhos e trabalhava como segurança de comércio de rua. Ele foi baleado quando chegava em casa, na noite da segunda-feira, no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Ele será enterrado às 15h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Já o marceneiro Gemerson Patrício de Souza, de 47, foi atingido no entorno do Morro do Juramento, em Vicente Carvalho, na manhã de terça-feira. Ele estava em uma passarela a caminho da marcenaria onde trabalhava quando o tiroteio começou. Gemerson será sepultado no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, às 16h30. Ele deixa dois filhos.

Durante esses confrontos, nove pessoas morreram. Segundo a Polícia Civil, apenas Denis e Gemerson eram inocentes. A Delegacia de Homicídios da capital (DHC) recolheu todos os fuzis e pistolas dos PMs envolvidos nas duas ações. Os armamentos passarão por perícia no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). O objetivo é saber se os tiros que mataram os dois inocentes partiram das armas dos agentes.

Além das mortes, dez pessoas ficaram feridas. Entre elas, a operadora de caixa Bruna Barros Viana, de 39 anos. Bruna foi atingida no pescoço quando passava em uma van na rua Barão de Petrópolis, no entorno do Morro dos Prazeres. O estado de saúde de Bruna é grave, segundo parentes.

Nas últimas horas, Bruna teve que ser transferida para um leito Centro de Atendimento Intensivo (CTI) já que seu estado de saúde teria se agravado. Uma irmã da operadora de caixa contou que o projétil que atingiu o seu pescoço não pode ser retirado. Além disso, os familiares reclamaram de falta de informação. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que "o quadro clínico da paciente é estável".

Ouvidor-geral da Defensoria pede que MP 'tome medidas' após ações da PM

O ouvidor-geral da Defensoria Pública do estado, Guilherme Pimentel, informou nesta quarta-feira que vai pedir ao Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) que tome medidas em relação às ações da Polícia Militar. A PM abriu um Inquérito Policial-Militar (IPM) para apurar o que aconteceu. A Delegacia de Homicídios também vai investigar os dois episódios.

— Cobramos um estancamento desse tipo de atuação e que todas as provas sejam preservadas. A Defensoria está à disposição de todas as vítimas que sofreram algum tipo de violação — disse Pimentel.

Já o Porta-voz da PM, o major Ivan Blaz, voltou a dizer que esses confrontos começaram depois de equipes serem atacadas a tiros por bandidos. Ele comentou as mortes dos inocentes.

— Lamentamos esses fatos. Mesmo com a apreensão de dez fuzis, não podemos comemorar, já que vidas foram perdidas — disse o oficial.

Guilherme Pimentel defende a criação de um serviço no Ministério Público, que funcione 24 horas por dia, de segunda a domingo, para atender moradores de comunidades que queiram denunciar ações truculentas de policiais civis e militares:

— Se um bandido comete um crime, a pessoa consegue ligar para o 190 ou fazer alguma denúncia. E a polícia? Se os policiais cometem um crime, a pessoa vai recorrer a quem? É preciso ter um controle das forças institucionais.

Segundo o Ministério Público Estadual, desde o início das restrições às ações policiais — nos últimos 10 meses —, foram registradas 500 ações com justificativas em comunidades do estado. A decisão do ministro Edson Fachin, do STF, só permite ações específicas e os policiais precisam justificar por escrito ao MP.