Marcha da Consciência Negra de SP tem ato contra homem espancado até a morte no Carrefour

PATRÍCIA PASQUINI
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo com a pandemia de Covid-19, as lideranças negras decidiram realizar a 17ª Marcha da Consciência Negra, na tarde desta sexta (20), dia em que é celebrada a data. O ato cobrou justiça em relação ao assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40, espancado até a morte por dois seguranças do hipermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS), nesta terça (19). A vereadora Mariele Franco (PSOL), morta em 2018, também foi lembrada. Até 18h, a manifestação ocupou a calçada e duas faixas da avenida Paulista em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), na região central. Em vez de seguir ao Theatro Municipal, como é de costume na marcha, o grupo saiu em caminhada a uma unidade Carrefour, localizada na rua Pamplona, dentro do Shopping Jardim Pamplona, para a realização de um protesto. O grupo desceu a via Pamplona gritando "Justiça", Carrefour assassino", "Racistas, fascistas não passarão". "Fora Covas" e "Fora Doria" também foram proferidos. Às 18h45, o carro de som e os manifestantes chegaram em frente à loja. Alguns começaram a atirar pedras contra a loja, que fechou as portas. Quando iniciou a depredação, o carro do som com os representantes das entidades negras ameaçaram deixar o local. Flávio Jorge, da executiva da Conen (Coordenação Nacional das Entidades Negras), disse que hoje é um dia para comemorar e chorar. "Essa marcha está sendo realizada num momento muito positivo, de crescimento da luta negra no Brasil a partir da manifestação 'Vidas Negras Importam', dos EUA, que se espalhou pelo mundo e tem reflexo em nosso país", afirma. "O lado negativo é que estamos realizando essa marcha numa conjuntura de um governo de extrema-direita que retira e ataca os direitos da população negra e dos trabalhadores", completa. Luka Franca, do Movimento Negro Unificado (MNU), diz que "mesmo com todos os protestos que a gente fez, com todas as denúncias sobre racismo e sobre a ação violenta de seguranças e policiais para cima dos nossos corpos", assassinatos como o ocorrido em Porto Alegre continuam acontecendo. O ato político, que teve discursos de vários representantes de entidades negras, também pediu justiça pela vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em 2018, lembrou a violência sofrida pela população negra nas periferias e fez críticas aos governos Doria e Bolsonaro. Até às 18h, quando o grupo começou a deixar a frente do Masp rumo ao Carrefour, não houve intercorrências durante a marcha. O grupo deixou o local por volta de 18h50. Manifestantes gritavam "Nosso recado ao Carrefour racista foi dado"