Marcha do Orgulho Trans vira palanque político contra Bolsonaro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A 5ª Marcha do Orgulho Trans, realizada nesta sexta-feira (17) no largo do Arouche, centro de São Paulo, foi palco de uma série de manifestações políticas contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) e a favor do ex-presidente Lula, rivais na disputa eleitoral de 2022.

De cima do trio elétrico, militantes puxavam gritos de "fora, Bolsonaro", e ambulantes vendiam toalhas com o rosto do petista, além de bandeiras nas cores branco, azul e rosa, que representa a comunidade transgênero.

Adesivos com o rosto do ex-presidente eram distribuídos por integrantes da UJS (União da Juventude Socialista). Outro, com os dizeres "vote com orgulho contra o fascismo", era assinado pelo PSOL. "É um ato político porque vivemos uma opressão enorme", diz Evelin Maciel, que carregava um estandarte colorido escrito "crianças trans existem".

Ela conta estava lá para representar sua neta Serena, 9, que começou a transição de gênero aos 6 anos. "A história é sempre a mesma, as crianças já se reconhecem trans desde cedo. Minha neta sempre falou que era menina", diz. "Eu digo que ela nasceu menina, eu que não sabia ainda."

O casal não binário Gabe, 19, e Bluey, 18, comemorava participar da marcha com as roupas que, geralmente, não teria coragem de usar em outra ocasião. Bluey usava apenas dois esparadrapos cobrindo os mamilos e calças pretas. "É uma forma de me aceitar, mas não tenho liberdade de sair na rua assim", disse.

A marcha faz parte dos eventos em defesa dos direitos LGBTQIA+ organizados ao longo do feriado para celebrar a Parada do Orgulho LGBT, programada para domingo (19) após dois anos de edições remotas por causa da pandemia de Covid-19.

Neste ano, a programação da Marcha do Orgulho Trans reuniu apresentações musicais e discutiu a questão da empregabilidade dos transexuais. "Temos pedido integralidade, e a marcha é um posicionamento político. É um outro jeito de celebrar", diz a ativista Neon Cunha, que discursou para o público.

Segundo ela, a violência contra a população transexual aumentou no Brasil e a perseguição continua, apesar de alguns avanços conquistados, como o direito de mudar o gênero no documento sem passar pela cirurgia de redesignação de sexo. "É bonito de ver pessoas jovens reconhecendo seu gênero e sendo quem elas são. Nesse sentido, há um avanço", diz Cunha.

Na Feira da Diversidade, organizada na véspera, cerca de 800 pessoas se inscreveram para ação de uma marca de cerveja que pagou os custos da retificação do nome social no documento de identidade. A previsão era receber até 200 interessados, segundo a diretora de marketing da Amstel, Vanessa Brandão. "Vamos continuar nos próximos dias para dar conta da demanda", disse.

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