Melhem é acusado de assédio sexual e nega: "Jamais seria capaz de emparedar alguém à força"

Giselle de Almeida
·4 minuto de leitura
Marcius Melhem. Foto: divulgação/TV Globo
Marcius Melhem. Foto: divulgação/TV Globo

Ex-diretor do núcleo de humor da Globo, Marcius Melhem anunciou sua saída da emissora em agosto, mas só no último sábado (24) vieram à tona detalhes sobre as acusações de assédio que culminaram em sua demissão. Segundo relato da advogada Mayra Cotta, que representa seis das vítimas, em entrevista à colunista Monica Bergamo, do jornal “Folha de S. Paulo”, o comediante teria tentado agarrar mulheres à força, mandado mensagens inconvenientes e criado um ambiente tóxico de trabalho.

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De acordo com a representante do grupo, as vítimas ficaram insatisfeitas com a forma como se deu o desligamento de Melhem. Na ocasião, a Globo anunciou o fim de uma “parceria de sucessos” de 17 anos, sem menção às denúncias. A colunista afirma que Dani Calabresa havia feito uma acusação formal de assédio sexual contra o antigo chefe em dezembro do ano passado.

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Mayra explica que foi chamada para lidar com o caso “para que ele não fosse simplesmente varrido para debaixo do tapete”. Segundo ela, há um grupo de mais de 30 pessoas que apoiam ou foram testemunhas dos casos de assédio, e as vítimas preferem não se identificar publicamente ou dar entrevistas para que não sofram discriminação, como é comum nesses casos.

A partir dos relatos, a advogada descreve Melhem como um chefe que “tentar usar o poder que tinha de contratar ou demitir para as constranger a se envolver com ele”.

“Houve um comportamento recorrente, de trancar mulheres em espaços e as tentar agarrar, contra a vontade delas. De insistir e ficar mandando mensagem inclusive de teor sexual para mulheres que ele decidia se iam ser escaladas ou não para trabalhar, se ia ter cena ou não para elas [nos programas de humor]. De prejudicar as carreiras de mulheres que o rejeitaram. De ficar obcecado, perseguindo mesmo. Foi um constrangimento sistemático e insistente, muito recorrente”, contou.

Mayra diz que não há possibilidade de o comportamento do humorista ter sido um flerte mal interpretado. “Foram casos de assédio sexual mesmo. De mulheres falando não, não quero, me solta, não vou beijar, não vou ficar com você. E ele tentando, agarrando. Não tem zona cinzenta, isso é violência. E aí tem algo muito sério: ele era chefe delas. Ele tinha uma posição de poder”, resume.

Marcius Melhem nega acusações

No Twitter, em uma longa sequência de mensagens, Marcius se pronunciou sobre a entrevista da advogada e se disse inocente. “Diante de acusações tão graves, que de forma alguma cometi, o que eu posso fazer? Negar”, alegou.

Em outro trecho, o humorista afirma ter testemunhas que comprovam suas afirmações. “Eu coloco à disposição toda minha comunicação que tenho arquivada, com qualquer pessoa que tenha trabalhado ou se relacionado comigo nesses anos. E peço que ouçam as pessoas que trabalharam comigo que acompanharam muitas situações de perto e que podem falar bastante sobre isso tudo. Peço por favor que apurem a verdade e não apoiem mentiras”, afirmou.

O ex-diretor do núcleo de humor da Globo também garantiu que “jamais seria capaz de emparedar alguém à força” e disse por que, até então, não havia comentado o assunto publicamente.

“Até hoje eu fiquei calado porque as acusações não apareceram aqui fora. No compliance da Rede Globo tudo foi apurado e investigado rigorosamente. Saí pela porta da frente da emissora que trabalhei por 17 anos. Sei que num caso desses, ainda mais no momento que vivemos, de tanto ódio, serei culpado até provar o contrário. Então quero que tudo seja colocado às claras, expor a minha inocência e os meus erros. Quero poder pedir desculpas e cobrar responsabilidades. Vou em busca da verdade”, escreveu.

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