Marco Aurélio Mello diz que telefonema de Bolsonaro é tentativa de desviar o foco

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BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira que o telefonema entre o presidente Jair Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) é uma tentativa de desviar o foco. Afirmou também que é ruim tentar fragilizar as instituições. Na gravação, divulgada por Kajuru, Bolsonaro disse ao senador que é preciso pressionar o STF para que determine ao Senado Federal que analise pedidos de impeachment de ministros da Corte. O senador citou então o pedido que fez ao STF para obrigar o Senado a analisar o pedido contra o ministro Alexandre de Moraes.

— É arroubo de retórica, é crítica pela crítica, tentativa de desviar o foco — disse Marco Aurélio, acrescentando: — É ruim tentar fragilizar as instituições pátrias. Você não sabe como termina.

Os demais ministros do STF vêm evitando comentar o assunto e, até o momento, a Corte não se manifestou oficialmente sobre o assunto. Na última sexta-feira, após Bolsonaro criticar Barroso pela decisão que autorizou a instalação da CPI no Senado, a Corte soltou nota dizendo que "reitera que os ministros que compõem a Corte tomam decisões conforme a Constituição e as leis e que, dentro do estado democrático de direito, questionamentos a elas devem ser feitos nas vias recursais próprias, contribuindo para que o espírito republicano prevaleça em nosso país".

— Coisa importante aqui. Vamos lá. Você tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto é um limão que está aí, dá para ser uma limonada. Tem que, acho que você já fez alguma coisa, tem que peticionar o Supremo para botar em pauta o impeachment dos ministros — disse Bolsonaro na gravação.

— E o que eu fiz. O senhor não viu o que eu fiz não? — questionou Kajuru.

— Para que você fez. Você fez para investigar quem? — afirmou o presidente.

— O Alexandre de Moraes, ué. Eu tenho que começar pelo Alexandre de Moraes porque o do Alexandre de Moraes meu já está lá engavetado pelo Pacheco. Só falta ele liberou — esclareceu o senador.

— Você pressionou o Supremo, né? — perguntou Bolsonaro.

— Sim, claro, eu entrei contra o Supremo, entrei ontem às 17h40 — respondeu Kajuru.

— Parabéns para você — elogiou Bolsonaro.

Na mesma conversa, o presidente defendeu a investigação de governadores e prefeitos pela CPI da Pandemia no Senado. O objetivo da comissão, que teve a instalação determinada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso, é investigar as eventuais omissões do governo federal no combate ao coronavírus. Um requerimento que pede a extensão da apuração para gestores estaduais e municipais já foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Nesta segunda-feira, Kajuru revelou em entrevista à Rádio Bandeirantes outro parte do telefonema. Bolsonaro disse que teria de "sair na porrada" com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de abertura da CPI. Ao GLOBO, Kajuru disse que havia optado por não publicar esse trecho para proteger tanto Randolfe quanto Bolsonaro. Ele mudou de ideia, no entanto, após Bolsonaro defender a divulgação da íntegra:

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