Marco Nanini ensaia peça dentro de uma 'bolha' e fala sobre dificuldade com tecnologia: 'Sou da época do on e off'

Maria Fortuna
·2 minuto de leitura
Ana Branco / Agência O Globo

nanini vale.jpg

Ana Branco / Agência O Globo

A sensação é de que Marco Nanini e Camilla Amado estão dentro de uma embalagem. Protegidos por um plástico que cerca todo o palco do Reduto (espaço cultural mantido pelo ator e pelo sócio, Fernando Libonati, em Botafogo), eles ensaiam isolados do resto da equipe a peça “As cadeiras”, clássico do teatro do absurdo de Eugène Ionesco (1909-1994), que promove uma reflexão exatamente sobre a incomunicabilidade humana. Em cena, a dupla também está separada por outro pedaço de plástico, que vai de um lado a outro e divide o espaço ao meio. Os cuidados contra a Covid-19 ali só não são maiores do que a vontade dos dois atores de voltar à ribalta.

E a maneira de fazer isso acontecer com segurança — afinal, eles estão no grupo de risco da doença, Nanini com 72 anos, e Camilla, com 81 — não foi apenas colocá-los dentro dessa espécie de bolha. Mas encontrar uma linguagem que tivesse como base o teatro sem seguir seu formato tradicional, que poderia colocar em risco artistas e plateia. A alternativa encontrada foi filmar a encenação com duas câmeras e investir na pós-produção. O público vai poder conferir o projeto a partir de fevereiro, em temporadas que serão realizadas via plataformas digitais.

— Experimentar algo novo aos 72 anos é importantíssimo para mim. Se não, a gente vai se sentindo sem óleo, sabe? — conta Nanini. — Nunca fiquei tanto tempo parado, queria fazer esse exercício, entrar nessa coisa de internet, descobrir novos caminhos. Porque o teatro virou uma coisa quase impossível. Como vamos sobreviver com esse arrocho? De criatividade, de orçamento... Um ano sem levar gente ao teatro, as pessoas começam a não ir mesmo. Foi tudo por água abaixo, não dá para fingir.

Em meio a esse processo de reinvenção, que exige também um mergulho na tecnologia para quem deseja se comunicar, Nanini ainda busca sua própria sintonia.

— Sou da época do on e off. Hoje, não sei mexer em um botão sem errar. Tem sempre alguém me ensinando ou se irritando comigo, mas vou lutando, né? — brinca ele, que fez sua estreia no Zoom com a primeira leitura da peça.

Leia a matéria completa aqui