Marcos Mion conta estar sonhando com 'Caldeirão' e critica ministro da Educação: 'É um irresponsável'

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Marcos Mion tem despertado no meio da noite como se não tivesse dormido. Não consegue desligar, leva para o sonho o cenário do “Caldeirão”, programa que vai comandar a partir de sábado, e frequentemente acorda pensando: “Quantos pontos valem a próxima rodada?”

— Estão sendo dias insanos. Sempre termino mentalmente exaurido — diz o paulistano, de 42 anos, depois de quase 12 horas de gravação: — Sei que tem que falar “Estúdios Globo”, mas não na minha vez. Deixa eu falar “Projac”.

Desde o início de agosto, Mion realizou o sonho de frequentar (com crachá de funcionário, como fez questão de mostrar nas redes sociais) as instalações de Curicica, quando foi anunciado como substituto de Luciano Huck nas tardes de sábado. Ele fica no posto até dezembro (“A proposta já veio assim”, explica ele sobre a data) e, durante esse período, promete imprimir uma marca de humor no horário:

— As pessoas podem esperar diversão, risada, alegria, alto-astral, o que gosto de fazer. Viemos de um período muito doído, de sofrimento. Um objetivo conceitual do programa é fazer parte desse momento de retomada do sorriso.

Sua estreia contará com o público presente nos estúdios, uma vez que o “Caldeirão” terá espectadores in loco, testados e vacinados.

— É uma plateia reduzida ainda, mas dá um gostinho. Não só eu, mas os artistas musicais não veem isso há muito tempo — destaca ele.

Quem teve contato com a turma de Mion foi Tiago Leifeirt, um dos convidados da estreia no quadro “Sobe o som”, uma disputa de adivinhação musical que tem a participação de uma banda comandada por Lucio Mauro Filho. O apresentador do “Big Brother Brasil” foi um dos conselheiros do paulistano desde que ele saiu da Record, em janeiro, depois de quase dez anos.

— Achava inevitável a contratação dele pela Globo, era só uma questão de tempo e oportunidade. Isso era algo que eu dizia — afirma Leifert, que resume: — Fato é que ele é um apresentador pop, no melhor sentido da palavra.

A popularidade de Mion existe muito antes de “A fazenda” ou dos “Legendários” — dois dos principais programas dele na Record — ou das redes sociais, onde, só no Instagram, tem 14,2 milhões de seguidores e produz conteúdo freneticamente. O primeiro emprego na TV veio no seriado “Sandy e Junior”, em 1999, mas foi na “MTV” que fez fama entre os millennials, com o programa “Os piores clipes do mundo”, exibido entre 2000 e 2001. Na frente de um chroma key, ele analisava e tirava sarro dos diversos clipes da emissora. No “Caldeirão”, o formato se repetirá, agora com o acervo da casa, no quadro “Isso a Globo mostra”.

— Na filosofia, dizem que, se você tiver uma ideia original na vida, não vai passar de uma. Essa foi a minha ideia original — diz Mion.

Foram as piadas feitas pelo jovem na MTV, aliás, que jogaram holofotes em Supla. Ele virou o “rei” do “Piores” com o clipe de “Green hair” antes mesmo de entrar na “Casa dos artistas”, do SBT. A dupla nunca foi amiga, mas o nome dos dois é indissociável para quem viveu o início dos anos 2000.

— Cantava para ele: “Eu ligo a TV e vejo o quê? É mais um ‘comedian’ querendo aparecer” — diz Supla, para elogiá-lo em seguida: — Acho o Mion um tremendo profissional e vejo nele um ótimo pai.

Luta por leis inclusivas

A missão de criar Romeo, de 16 anos, Donatella, de 12, e Stefano, de 10, seus filhos com Suzana Gullo, é algo que impactou a comunicação do artista, segundo Geninho Simonetti, diretor-geral do “Caldeirão”. Geninho e Mion trabalharam juntos na MTV, depois na Record e se reencontraram agora depois de 12 anos.

— Ele está um cara muito maduro, que consegue brincar na hora de brincar, mas também conversar muito a sério — diz Geninho.

Nem tudo é piada. Mion fala com paixão sobre a luta pela inclusão de pessoas com deficiência, causa que abraça desde o nascimento de Romeo, jovem com transtorno do espectro autista. E com indignação quando se lembra da recente fala do ministro da Educação, Milton Ribeiro, de que crianças com deficiência intelectual atrapalhariam o aprendizado das outras ao dividirem a mesma sala de aula:

— Esse cara é um irresponsável. No momento em que você se torna uma pessoa que tem que representar os interesses públicos e não tem empatia, você está no lugar errado. Ele não tinha que estar lá.

Antes da pandemia, Mion trabalhou em prol da aprovação de duas leis. Uma delas leva o nome de Romeo e dá direito a jovens com o transtorno de terem uma carteirinha de identificação. A outra é para que o Censo inclua a contagem populacional de autistas.

— Foi uma vitória. Mas o que aconteceu? Cancelaram o Censo. Damos um passo e tomamos duas rasteiras.

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