Marcos Pontes diz que cortes na Ciência e Tecnologia ameaçam programas e bolsas

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SÃO PAULO — O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, afirmou nesta sexta-feira que o corte de recursos em sua pasta ameaça programas, como o financiamento do Centro Nacional de Vacinas, e a concessão de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Pontes disse ainda que foi “pego de surpresa” pela decisão do Ministério da Economia.

A colunista Miriam Leitão revelou na quinta-feira que o ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou ofício à Comissão Mista do Orçamento do Congresso mandando tirar R$ 690 milhões já previstos para projetos científicos, deixando apenas R$ 55 milhões.

Pontes explicou que esse dinheiro cortado é usado para subvenção de empresas, para financiamentos de startups, para manutenção de instituições, como o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), para melhorar a infraestrutura de laboratórios de universidades e bancar bolsas do CNPQ. Editais já lançados não poderão ser executados, se o corte não for revertido.

— Tudo isso passa a ficar em risco com a redistribuição desses recursos. Por isso que eu tenho falado da urgência da reposição para gente conseguir executar este ano. Não adianta vir o recurso em novembro, por que como a gente vai fazer um edital em um mês? Não é aplicável.

Perguntado se cogitava deixar o ministério se o corte não for revertido, o ministro respondeu:

— Ontem, eu estava muito, mas muito chateado. Se me perguntasse isso ontem, provavelmente iria falar: "sim". Hoje, vendo tudo isso aqui, principalmente aqueles jovens recebendo a medalha, eu pensei: "Pô, eu tenho que continuar para ajudar a levar isso para frente". Eu me sentiria muito mal em sair e deixar todo esse pessoal.

O ministro deu entrevista após participar de um evento ao lado do presidente Jair Bolsonaro no CNPEM, em Campinas. No local, foi realizada uma feira de produtos desenvolvidos a partir do uso de nióbio, inauguradas cinco novas estações de pesquisa do Sirius, o maior acelerador de partículas do país, e distribuídas medalhas a estudantes que se destacaram em atividades científicas.

Pontes classificou o corte como uma decisão “equivocada”. Em seu discurso, falou da importância do desenvolvimento da ciência e inovação. Na entrevista, enfatizou a necessidade de busca de tecnologias para a solução de problemas complexos.

— Isso depende de um tripé de pessoas qualificadas, fomento de infraestrutura e manutenção do sistema. Então, toda vez que falta orçamento, sim, você coloca em em risco esse tripé que mantém a estrutura funcionando.

Segundo o ministro, o presidente sempre o apoia e se comprometeu a ajudá-lo, mas a área técnica do Ministério da Economia tem mais peso.

— Mas isso não depende dele (Bolsonaro), depende muito mais da Economia.

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