Marcos segurou na mão do primo, mas não resistiu

TAYGUARA RIBEIRO
SÃO PAULO, SP, 02.12.2019 - VIOLÊNCIA-SP - Entrevista coletiva com o governador João Doria e o coronel Salles, no Palácio dos Bandeirantes, sobre as nove mortes ocorridas durante um baile funk na comunidade Paraisópolis, nesta segunda-feira (2). (Foto: PH Melo/MyPhoto Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O estudante Marcos Paulo de Oliveira dos Santos, 16 anos, morava no Jaraguá (zona norte de São Paulo) com a avó. No sábado (30) à noite o garoto disse a ela que ia a uma pizzaria com amigos da escola, que ficara na redondeza de onde residia. E não voltou mais. No dia seguinte, uma parente do garoto contou que ligaram do hospital no Campo Limpo (zona sul) para avisar que ele estava hospitalizado. Ele é um dos nove jovens mortos na madrugada deste domingo (1) após serem pisoteados depois de uma intervenção da Polícia Militar na festa que reunia cerca de 5.000 pessoas.

"Foi a primeira vez que ele foi neste baile, segundo a gente sabe", afirmou a parente, que pediu para não ter seu nome revelado.

Segundo ela, um primo de Marcos foi junto e também ficou machucado durante a confusão. "Um segurou na mão do outro, mas no meio do tumulto todo mundo dispersou e o Marcos Paulo acabou ficando sozinho", disse. "O primo apanhou muito de cassetete e está muito machucado. Ele não viu a quando o Marcos morreu, só o momento em que ele caiu no chão, não soube sabe o que aconteceu", afirmou.

Marcos estava no ensino médio e fazia curso técnico à tarde. O pai é separado da mãe e, desde pequeno, a avó cuida dele. "Foi uma surpresa para gente saber que ele tava tão longe", disse a parente.