Marcos Veras, que interpreta homens apaixonados na TV e no cinema, conta que só viveu relações duradouras: ‘Sou pra casar’

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“Felizes para sempre” ou “Até que a morte os separe” são dogmas que não convencem Marcos Veras. Para o ator, o título de casal só vale enquanto as duas partes estiverem satisfeitas e plenas na relação.

— Eu creio em renovação de contratos. A cada período de crise e dificuldades, a gente revê esses acordos. Não é porque temos um filho que vou ficar para sempre com a mãe dele, se essa convivência não me fizer bem. Filho não é impedimento pra nada — analisa: — Ao mesmo tempo, tenho amigos com 50 anos de casados, meus pais ficaram juntos por muitos anos e felizes. Acho lindo! Só não se pode acomodar.

Protagonista, ao lado de Nathalia Dill (Manu), da comédia romântica “Um casal inseparável” — em cartaz nos cinemas desde a última quinta-feira, o filme chega ao Telecine no próximo dia 19 — e de volta ao ar em “Pega pega”, na Globo, num triângulo amoroso com Vanessa Giácomo (Antônia) e Thiago Martins (Júlio), o carioca de 41 anos vive há quatro um relacionamento com a também atriz Rosanne Mulholland, de 40. O pequeno Davi chegou há 1 ano e 1 mês para fortalecer essa união, ele conta:

— Davi é nosso elo, nosso pacto de amor. A vinda dele durante a pandemia da Covid foi recheada de medos e inseguranças, a gente se blindou do mundo lá fora e se aproximou dentro de casa ainda mais.

As personalidades distintas (“Rosane é mais introspectiva, eu sou expansivo; ela é ponderada, eu sou mais impulsivo”, compara) temperam o relacionamento com equilíbrio:

— Temos diferenças, mas também gostos em comum. Essa dosagem é importante para a nossa convivência. Imagina ambos serem muito iguais, que sem graça seria! Ou, se completamente diferentes, ficaria a pergunta: por que estão juntos? A diferença do outro na medida certa faz você crescer. Isso é amor também.

“Bastante romântico”, como ele mesmo se define, Veras conta que sempre viveu namoros longos na vida pessoal. E diz se identificar com as histórias de amor de seus personagens.

— Gosto de me apaixonar, de amar. Meu relacionamento mais curto durou nove meses; o mais duradouro, 12 anos. Ou seja, eu sou um homem pra casar (gargalhadas) — brinca, ressaltando: — Histórias de amor me interessam. A gente vive um momento de tanto desamor, de tanto ódio, no Brasil e no mundo... Acho que esses romances da ficção tocam fundo. Dão um quentinho no coração de quem assiste, você pensa: “Que bom ter alguém do lado!”, “Estou com saudade”, “Vou pedir perdão”, “Vou convidar pra jantar”, “Vou chamar pra transar”... Tudo isso traz frescor pra vida.

Pai e mãe de primeira viagem

Veras gravou “Um casal inseparável” em janeiro e fevereiro do ano passado, quando Rosane estava com pouco mais de um mês de gravidez, então não revelada. Em março, sua colega de cena Nathalia Dill também se descobriu grávida. A amizade surgida durante as filmagens permaneceu, e hoje os dois atores trocam figurinhas sobre Davi e Eva — também coincidentemente, dois nomes bíblicos. “Somos pai e mãe de primeira viagem, respiramos essa atmosfera que é ter um ser humaninho para criar e educar em tempos difíceis. Ano passado, Nathalia fez um projeto de lives sobre maternidade, e eu fui o primeiro convidado dela. Agora, a gente está combinando programas em comum entre as famílias. Queremos fazer um piquenique, botar essas crianças para se conhecerem”, planeja ele.

Na pele do policial Domênico na TV e do médico Leo no cinema, Veras tem tido o seu sex appeal enfatizado nas redes sociais: “Sou um bom ator, finjo bem (risos). Acho que o rótulo de galã depende muito do personagem. Quando o papel já te apresenta nessa posição, não interessa se você realmente é lindo ou só simpático. Esses meus personagens são homens apaixonados, suas profissões mexem com a fantasia... Eu me considero um cara simpático”.

Heranças da ficção

O ator coleciona lembranças de seus personagens. Do policial Domênico de “Pega pega”, ele guardou um anel. Do médico Leo, de “Um casal inseparável”, uma camisa praiana. “Eu tenho essa mania. Nem sempre me lembro de pegar alguma coisa de recordação, mas gosto. Essa camisa eu tomei o cuidado de não usar antes de o filme ser lançado pra não acharem que emprestei minha roupa para o personagem, e não o contrário (risos)”, relata.

Marcados na pele

Em homenagem ao filho, Veras tatuou uma Estrela de Davi no braço esquerdo. “Minha família não é judia, é do Ceará. Esse símbolo tem significado no judaísmo, na bruxaria, na umbanda, no catolicismo... Todos eles relacionados a proteção, força. Eu creio em tudo. E essa é a minha segunda e discreta tatuagem. Também tenho desenhado um ‘JJ’, de Jaqueline e José, em memória de meu pai e minha irmã já falecidos”, detalha.

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