Marcus Wagner reúne arte, sustentabilidade e inovação no quiosque alalaô, no Arpoador

Joana Dale
·2 minuto de leitura

Figura das mais atuantes no cenário cultural da cidade, o designer carioca Marcus Wagner realizou o sonho de ter um quiosque para chamar de seu, no Arpoador. Mas, vindo dele, não poderia ser diferente, tinha que ser de vanguarda: inaugurado há um mês, o Alalalô é o primeiro quiosque da orla focado em arte e sustentabilidade. “É um portão para uma possível praia do futuro, um laboratório de ideias para receber a galera das universidades e pensar em mobiliário e reciclagem do lixo depositado nas areias usando a inteligência praiana”, diz ele, que há dez anos promove performances artísticas naquele trecho de areia.

O projeto do Alalaô, assinado pelo craque Pedro Évora, da RUA Arquitetura, dialoga com a proposta inovadora. O quiosque original de 1992 foi envelopado por um origami de madeira, que se abre de várias formas, uma delas de túnel, a caminho do mar. O telhado, espelhado, reflete o céu. No topo, a cereja do bolo é um moinho de vento, que capta energia para recarregar aparelhos eletrônicos dos frequentadores. “Que o vento nos carregue”, Marcus cita o dizer estampado na plaquinha. O espaço, inclusive, será usado como a base praiana do Congresso Mundial de Arquitetos, marcado para julho.

No início do mês, ele criou um abaixo-assinado para remover os 15 blocos de concreto que estavam bloqueando a paisagem e atrapalhando a descida dos banhistas na rampa de acesso à areia — há quatro anos. “Em quatro dias de campanha, a prefeitura se mobilizou”, comemorou ele, na quinta-feira passada. No mesmo dia, diante do lockdown, precisou fechar (por tempo ainda indeterminado) as janelas do Alalalô, mas estava tão feliz que nem ligou. “É o primeiro quiosque cultural da orla desempenhando seu papel. É ingênuo achar que só a polícia resolve as questões locais”, afirma. “A praia é o coração do Rio e o Arpoador, a síntese do melhor e do pior da cidade.”

No mês que vem, se tudo correr conforme o previsto, uma exposição de Arjan Martins entrará em cartaz no novo point, reforçando a ideia de o espaço ser uma galeria de arte a céu aberto. E ainda tem o bar com drinques caprichados. Afinal, de festa, ele — que é um dos organizadores do badalado réveillon do Arpoador e fundador do Baile do Sarongue — entende.