Mari Fernandez, rainha do piseiro, diz que "Não, Não Vou" é sobre mulher empoderada

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Mari Fernandez o nome por trás do hit do Tik Tok (Foto: Reprodução/Instagram@marifernandez)
Mari Fernandez o nome por trás do hit do Tik Tok (Foto: Reprodução/Instagram@marifernandez)

"Quebrou a cara vem quebrar a minha cama de novo...". O hit que viralizou nas redes sociais é da cearense Mari Fernandez, 20 anos. Ela começou a cantar na igreja aos 8 anos, se mudou da sua cidade natal, Alto Santo, no interior do Ceará e foi para Fortaleza em busca do sonho.

Talvez ela não imaginasse que, em pouco tempo, o videoclipe de sua música alcançasse mais de 17 milhões de visualizações no YouTube, e presenciaria tantos famosos, entre eles Neymar, Rodrigo Faro e Rafa Kalimann, dançando sua canção nas redes sociais.

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Apesar de parecer que na letra uma mulher implora para o amado voltar depois de ser largado por outra, a cantora não enxerga o que é cantado como falta de amor próprio.

"Sempre gosto de olhar para a música com a visão de empoderamento, de que a mulher está fazendo o que ela quer, ela não está se importando com o que o povo vai falar. Ela quer viver aquilo de novo e não precisa falar um não só porque as pessoas podem pensar que ela está se rebaixando ou algo do tipo", diz Mari em entrevista ao Yahoo!.

Rainha do piseiro

Aos 15 anos, ela iniciou profissionalmente como compositora e se inspirou em Marília Mendonça e Maiara e Maraisa quando começou a postar vídeos cantando na internet.

"Muitas pessoas me consideram a primeira mulher do piseiro, mas acho que agora vão vir muitas. Chegou a hora das mulheres virem também", conta ela, que já é chamada de "rainha do piseiro".

Apesar de ser um ritmo predominado por homens — assim como sertanejo, samba e pagode —, ela conta que foi acolhida pelos artistas do ritmo.

"Até agora não recebi comentário machista, tenho apenas um mês e meio de carreira, muitas pessoas do mercado musical estão me apoiando, me dando conselhos, principalmente mulheres".

O piseiro é um forró mais modernizado, com estilo eletrônico, e é principalmente de mulheres oriundas do forró "das antigas" como Solange Almeida e Samyra Show que ela tem recebido mais incentivo.

"E também alguns artistas homens que vem me dando oportunidade como Vitor Fernandez, que participou da minha música 'Agonia' e desde o início do trabalho já me ajudou bastante".

E tem pop de Lady Gaga e Katy Perry também

Em "Agonia", a terceira canção do álbum Piseiro Sofrência, Mari canta sobre o ciúme que sente ao ver o amado com outra. 

"Quando fui escrever 'Agonia' criei um refrão um pouco mais sofrido, queria usar essa palavra que a gente usa bastante no nordeste que é, 'estou agoniado', só que fazer algo mais Brasil, que todo mundo entendesse, então fiz neste sentido mais de sofrência", explica.

A letra é de sua autoria e, mesmo com 20 anos, ela diz já ter sofrido bastante no amor. "Sou novinha, mas já tive as minhas experiências amorosas que não deram certo".

A gravação do clipe aconteceu em uma escola de artes em São Paulo e Mari e a equipe cenográfica buscaram referências em Lady Gaga e Katy Perry no figurino e cabelo.

"Já admirava bastante o trabalho delas e também o da Ariana Grande. Gosto muito de acompanhar estilos diferentes, pop, sertanejo... Gosto de estar por dentro e usar como referência para a minha carreira. Tenho pouquíssimo tempo de carreira, adoro olhar pessoas que já têm anos para trazer um pouco para mim no meu estilo".

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Feat com Marília

Mari teve sua voz comparada com a de Marília Mendonça. E é justamente com a rainha da sofrência que a cantora está mais ansiosa para gravar um feat.

"Já não é mais segredo. Desejo muito um feat com a Marília Mendonça, admiro muito o trabalho dela. Tenho muitos artistas que são referência para mim como Alceu Valença, porém a Marília é a artista que me encaixo mais, admiro muito. Com certeza se eu tivesse oportunidade, ia extremamente feliz e agradecida".

DJ Ivis

Assim como tem acontecido com muitos artistas em evidência do forró, Mari Fernandez chegou a conversar com DJ Ivis sobre uma possibilidade de uma parceria futura - o produtor musical era um dos maiores nomes do forró eletrônico. O papo aconteceu antes da divulgação da sequência de vídeos dele agredindo covardemente sua companheira, Pamella Holanda, algumas vezes diante da filha, de apenas nove meses.

"Fiquei extremamente chocada e surpresa com as cenas que vi, cenas muito fortes. Fiquei muito mal em ver aquilo. Não tínhamos algo programado, porém o DJ era um artista que estava muito em alta", conta ela.

Apesar de estar no início de carreira e em ascensão, a cantora tem consciência da sua responsabilidade como pessoa pública e se preocupa em influenciar positivamente seu público.

"Quando você tem poder de fala, tem uma certa influência, você tem a responsabilidade de incentivar as pessoas a sempre defender o bem, a igualdade. Como artista, me sinto nessa responsabilidade, em alguns casos absurdos como esse, a gente precisa chegar e falar o que a gente acha e passar para a sociedade. Tudo o que a gente quer é uma sociedade que tenha igualdade, que as pessoas se respeitem e se amem", afirma.

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