Maria Bruaca na 1ª "Pantanal", Ângela Leal relembra recepção do público: "Chacota"

Maria Bruaca na 1ª
Maria Bruaca na 1ª "Pantanal", Ângela Leal relembra recepção do público: "Chacota" (Foto: Reprodução/Manchete/Globo)

Maria Bruaca hoje faz sucesso na pele de Isabel Teixeira em "Pantanal", mas na primeira versão da novela a história era outra. Ângela Leal, mãe da também atriz Leandra Leal, relembra que a personagem era tratada como "chacota" e "piranha".

"Muitas coisas mudaram desde então [quando a novela de Benedito Ruy Barbosa foi exibida, em 1990], começando pelo fato de que a internet nem existia direito. Naquela época, a mulher de 43 anos era considerada velha. A Bruaca é fruto de um período em que o preconceito estrutural estava instaurado", recordou em entrevista à coluna da jornalista Patrícia Kogut, no jornal "O Globo".

"O substantivo 'Bruaca' virou uma chacota, um adjetivo como a 'bichinha', a 'galinha', a 'piranha', aquelas coisas que o preconceito estrutural permitia. E, para mim, é uma grande felicidade perceber que, depois de 32 anos, a sociedade evolui em vários pontos desse assunto", acrescentou Leal.

Ela ainda afirmou que a personagem é fundamental para o debate sobre a liberdade feminina: "Tenho certeza que a Bruaca daquela época contribuiu, e muito, para a luta do feminismo. Para o machismo, para a homarada, a Bruaca virou piranha quando deu a volta por cima. Já as mulheres levavam um choque elétrico. Imagine o mal estar que era 'uma Bruaca' com o marido assistindo à novela juntos naquela época?".

"Eu recebi muitas cartas de mulheres que queriam falar disso, mulheres que estavam se juntando para discutir esses temas. Grande parte das mulheres de então eram a Bruaca. Hoje, elas ainda existem, mas menos. E a briga é mais clara. Tanto que o público a apoia majoritariamente", pontuou.

Por fim, ela agradeceu por ter tido a oportunidade de interpretar um papel tão icônico na sua carreira como atriz - hoje ela se dedica ao Teatro Rival, no Rio de Janeiro, que pertence à sua família - e elogiou Isabel Teixeira:

"Sou muito agradecida ao Benedito por ter me dado a possibilidade de interpretar esse papel emblemático. Claro que pesa muito a interpretação. A Isabel está excelente também. Tem um charme, uma malemolência. A minha era um pouco mais dura, mais grave", declarou.

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