Maria Flor sobre relacionamentos abusivos: 'Já tive namorado que me diminuiu'

·3 minuto de leitura

Os 49 quilos, distribuídos em 1,60m de altura, e o olhar suave de Maria Flor facilmente levariam um observador a tomá-la como frágil. No entanto, é só ela abrir a boca para vir o choque. Ao contrário de muitos colegas de profissão, a atriz, de 37 anos, não teme ser criticada por suas opiniões e faz questão de se posicionar sobre temas espinhosos, como política e maternidade. .

Leia mais: Maria Flor fala sobre desejo de ter filhos e sexo: "A gente tem ser mãe, casada, bem-sucedida, gostosa e boa de cama. Quem é que consegue dar conta dessa imagem de perfeição? Para os homens é bem mais fácil"

Na pandemia, usou seu perfil no Instagram para mostrar a revolta de Flor Pistola, personagem criada para externar indignação diante das notícias. Acabou enfrentando um tsunami de ódio, fake news e até ameaças de morte por causa dos comentários sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Foi também durante a quarentena que a atriz pôs o ponto final no livro “Já não me sinto só”, romance lançado no mês passado pela editora Planeta. Entre as gravações do canal Flor e Manu, que mantém na internet com o marido, o ator Emanuel Aragão, para falar sobre relacionamento e sexualidade, e da novela “Um lugar ao sol”, próxima trama das nove da Globo, em que vai interpretar uma manicure vítima da violência doméstica, a atriz conversou com a ELA.

O GLOBO: Você vem travando batalhas digitais com o presidente Bolsonaro. Acha importante que pessoas públicas se posicionem?

Não sei se é importante para as pessoas públicas, sei que é importante para mim. Estava cansada de não usar a internet com aquilo que acredito, falando sobre assuntos que me incomodam, que me deixam indignada. Por isso inventei a Flor Pistola. Muita gente não entende que é uma personagem. Como ela não tem uma caracterização, confundem comigo. Mas não acho de todo ruim, não me sinto incomodada por isso. A rede social é assim: esse limite entre o que é ficção e o que é realidade. A vida das pessoas nas redes sociais não é aquilo que elas mostram. Aquele é um enquadramento do que elas decidiram mostrar do cotidiano delas. A Flor Pistola não sou eu, mas tem a indignação que eu tenho sobre alguns assuntos. Confesso que ela me salva. É tanta notícia ruim que a gente está ficando entalado. É bom colocar para fora. Esse governo não nos dá um dia de paz.

E os fãs do presidente deixam muitos comentários...

Recebo uma enxurrada de ataques. Já pegaram a minha foto e colocaram em vários perfis bolsonaristas. Você nota que tem uma organização para aquilo se espalhar com velocidade. Quando inventei a personagem, sabia que poderia ser atacada, mas não imaginava que fosse tão agressivo. Conseguiram meu celular e me mandaram um recado por aplicativo de mensagem, dizendo que sabiam onde eu morava... Fizeram, inclusive, ameaças de morte. Também inventaram que a minha produtora, a Fina Flor Filmes, fez uma captação de 10 milhões pela Lei Rouanet e que eu tinha sumido com o dinheiro.

Sua personagem, na próxima novela das nove, terá um relacionamento abusivo com o marido. Já passou por algo semelhante?

Suportei ofensas e discussões que hoje em dia sei que extrapolaram o limite do respeito. Toda mulher passa por uma experiência machista na vida. Já tive namorado que me diminuiu, controlou o horário que eu chegava em casa, a minha roupa, a quantidade de bebida, com quem dançava na festa... O machismo básico que existe na sociedade.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos