Maria Laura da Rocha se torna 1ª mulher secretária-geral do Itamaraty e promete atuar por diversidade

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A diplomata Maria Laura da Rocha assumiu na tarde desta quarta-feira (4) o posto de secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores. Ela se torna assim a primeira mulher da história a ocupar o cargo --o segundo mais importante da hierarquia da diplomacia brasileira.

A cerimônia de transmissão de cargo aconteceu no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Em seu discurso, Maria Laura da Rocha disse que não medirá esforços no cargo para mostrar que todos ganham valorizando as mulheres. Ela também disse que vai trabalhar para aumentar a diversidade no Itamaraty.

"Não medirei esforços para mostrar o que a casa ganha em suas últimas dimensões valorizando as mulheres. Todos ganharemos com esse engajamento", afirmou.

"Vamos cuidar para que o Itamaraty seja um ator engajado para ampliar o número de mulheres, negras e negros, índios recrutados para nossas carreiras", completou.

A cerimônia de transmissão de cargo também foi marcado por um movimento de diplomatas mulheres, que vestiram roupas lilás para celebrar o fato de Maria Laura ser a primeira secretária-geral do sexo feminino. A cor é associada ao movimento sufragista e ao feminismo.

Durante os trabalhos do gabinete de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chegou-se a cogitar que uma mulher seria nomeada ministra das Relações Exteriores, um feito que seria inédito. No final, Lula optou por Mauro Vieira, que já havia sido chanceler no governo de Dilma Rousseff, o que acabou frustrando muitas mulheres.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, após ser escolhida para o cargo, Maria Laura disse querer ver mais mulheres no topo da carreira.

"Queremos continuar esse caminho, ter muitas profissionais no topo da carreira, mais mulheres em posições de comando. Vai chegar um momento em que teremos uma ministra das Relações Exteriores. É inevitável."

Maria Laura da Rocha é diplomata de carreira, ingressando nos anos 1970 no Instituto Rio Branco. Seu último cargo no exterior foi de embaixadora do Brasil em Bucareste, na Romênia. Ela também foi embaixadora da missão brasileira junto à FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e da missão brasileiro junta à Unesco.

Ela também foi chefe de gabinete do então chanceler Celso Amorim, durante os primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante a cerimônia, o chanceler Mauro Vieira teceu diversos elogios a Maria Laura, afirmando que ela é uma diplomata "exemplar", "experiente" e com "refinada habilidade política". Também ressaltou a luta das mulheres e das minorias para exercer a carreira diplomática ao longo da história e as propostas do atual governo para corrigir injustiças.

"A diversidade não pode ser entendida apenas de forma instrumental. Por um lado, é inegável que um corpo de funcionários diverso e inclusivo aumenta a excelência do trabalho diplomático [...] Por outro, resta óbvio que a maior presença de colegas negras e negros, mulheres, indígenas, pessoas LGBTQI+, pessoas com deficiência, e pessoas oriundas de distintas regiões do Brasil, constitui o alicerce maciço sobre o qual se assenta a própria democracia", afirmou Vieira.

Vieira afirmou que "práticas autoritárias que macularam a história do país" impactaram a evolução na carreira de mulheres. Citou a data de 1938, quando mulheres foram impedidas de ingressar no serviço exterior. E depois criticou a perseguição a diplomatas por serem homossexuais.

"É igualmente justo homenagear a memória dos colegas que foram expurgados da carreira por sua orientação sexual e por razões ideológicas, em diferentes momentos da nossa história", afirmou.