‘Marielle Franco sempre caminhou ao lado dos bons policiais’, relembra o pai da vereadora

Alma Preta
Marielle Franco, ex-vereadora - Foto: Divulgação/Câmara dos Vereadores do Rio)
Marielle Franco, ex-vereadora - Foto: Divulgação/Câmara dos Vereadores do Rio)

Texto / Nataly Simões | Edição / Pedro Borges

O pai de Marielle Franco, Antonio Francisco da Silva Neto, relembra que a vereadora assassinada em março de 2018 não tinha inimigos dentro da polícia. “Marielle nunca foi inimiga de nenhum policial e sempre caminhou ao lado dos bons policiais. Nossa família não compactua com aqueles que andam à margem da lei, estes não podem fazer parte de nenhuma corporação”, afirma.

Uma denúncia enviada pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) aponta que o político Domingos Brazão teria pago R$ 500 mil pelo assassinato de Marielle Franco e traz novos suspeitos de executar o crime. A revelação foi feita pelo miliciano Jorge Alberto Moreth em conversa telefônica com o vereador Marcello Sicilliano (PHS).

No diálogo, Jorge Alberto Moreth diz que os assassinos de Marielle e do motorista Anderson Gomes, mortos à tiros em março de 2018, foram Leonardo Gouveia da Silva, o Mad, Leonardo Luccas Pereira, o Leléo, e Edmilson Gomes Menezes, o Macaquinho. O trio teria agido com o apoio do major da Polícia Militar (PM) Ronald Paulo Alves Pereira, enquanto o ex-militar Marcus Vinicius Reis dos Santos fez a intermediação entre os matadores e Domingos Brazão.

Segundo Antonio Francisco da Silva Neto, o Estado está cumprindo o papel de investigar o crime. O pai da vereadora espera que todos os envolvidos no assassinato sejam responsabilizados. “As autoridades competentes devem se articular para os responsáveis serem presos e condenados, independentemente de quem sejam”, sustenta.

Para a ex-procuradora geral da república, Raquel Dodge, a gravação encontrada no celular do vereador Marcelo Sicilliano é a prova mais importante da ligação de Domingos Brazão no assassinato até agora. Antes de deixar o cargo em setembro, Dodge solicitou a abertura de um inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar se Brazão havia sido um dos mandantes do crime.

Na avaliação do pai de Marielle Franco, a investigação ainda deve ter novos desdobramentos. “É necessário observar como o assassinato foi planejado. Enquanto o crime não for totalmente esclarecido, eu vou aguardar novos desfechos. Não importa o tempo que as investigações levem e sim o resultado final”, pondera Antonio Francisco da Silva Neto.

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) ainda trabalham com a hipótese de que os assassinos tenham sido o PM da reserva Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Apontados como integrantes da milícia do Rio de Janeiro, eles foram presos em março, cerca de um mês após a conversa entre o vereador Marcelo Sicilliano e o miliciano Jorge Alberto Moreth.