Mariene de Castro faz novo tributo a Clara Nunes em show virtual

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A cantora Mariene de Castro agita feijoada na Quadra da São Clemente, na Cidade Nova

RIO — Em 2012, quando aceitou o convite para um projeto em homenagem a Clara Nunes (1942-1983), Mariene de Castro não imaginava que o espetáculo marcaria uma mudança profunda em sua carreira e sua vida pessoal. De cerca de cinco mil discos vendidos por trabalho de estúdio até então, o CD e DVD ao vivo “Ser de luz” ultrapassou a marca de 200 mil cópias. Hoje, via Zoom, a artista baiana retoma o repertório do espetáculo para celebrar a cantora mineira (1942-1983), que completaria 78 anos nesta quarta-feira (11/8).

— “Ser de luz” foi um presente em minha vida. Eu estava grávida (de Maria Mariá, caçula de quatro irmãos) quando me convidaram para fazer esse show. E isso desencadeou minha vinda para o Rio, pois meu médico me proibiu de pegar avião. Mudei de casa, escritório, tudo. Gravei amamentando, foi uma coisa linda. Agora, ensaiando para esta live, minha filha cantava tudo junto. Foi emocionante — conta Mariene.

Parte de um especial promovido pelo Canal Brasil, o show foi um “divisor de águas” na trajetória da cantora, apesar de Clara não ter sido uma de suas influências no período de formação.

— Até então, era inspirada por Elis Regina, Gal Gosta, Dalva de Oliveira e Luiz Gonzaga, que eu ouvia desde criança. Eu já conhecia os clássicos de Clara, coisas do inconsciente coletivo, mas não faziam parte do meu repertório. E aí um amigo me presenteou com a caixa com a discografia dela. Na mesma época, o Vagner Fernandes me deu o livro que escreveu, “Clara Nunes: guerreira da utopia”. Eu lia, chorava, parava, voltava, chorava de novo, principalmente quando falava do sonho da maternidade, que ela nunca cumpriu. E eu lá, com quatro filhos. Mas ela foi mais de toda essa gente, desse povo. Não sei se tinha consciência disso.

Para relembrar o cancioneiro de Clara — com faixas como “Juízo final” (Nelson Cavaquinho/Elcio Soares), “Coração leviano” (Paulinho da Viola,), “Conto de areia” (Toninho Nascimento/Romildo Bastos) e “Guerreira” (João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro) — na apresentação virtual, Mariene vai precisar se adaptar ao formato.

— No show, eram 14 pessoas no palco, mais três pastoras da Portela — diz a artista, que canta hoje acompanhada apenas pelo violonista Lula Gazineu. — Vai ter a verdade deste momento, que é silencioso, intimista, de resguardo. E com a emoção da música de Clara, que levantou a autoestima dos brasileiros.

'Temos que nos cuidar'

O título do projeto veio da canção “Um ser de luz”, homenagem póstuma de Paulo Cesar Pinheiro — ex-marido de Clara —, Mauro Duarte e João Nogueira.

— Gravei essa música em “Tabaroinha” (2012). Um dia, no Lamas, a Beth Carvalho cantou a letra para mim. Não tem outro nome possível para essa senhora iluminada que deixou um clarão aqui em nossa terra. Foi mesmo um ser de luz — diz.

Esta é a primeira live de Mariene durante a quarentena. Para receber o link, basta acessar o site bit.ly/MarieneClaraNunes e fazer uma contribuição. Os valores vão de R$ 15 a R$ 60.

— Perdi minha avó no dia 1º de agosto. Era uma grande matriarca, precisei de reflexão. E decidi que era hora de homenagear novamente a Clara. Acho que essa é a maneira mais responsável, cuidadosa e amorosa neste momento. As pessoas podem escolher o valor do ingresso, cada um paga o que pode. Temos que nos cuidar.

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