Marina critica Bolsonaro na ONU: “Obrigado a falar de meio ambiente, mas tem ojeriza”

Presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro líder mundial a falar na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (20) (Foto: Anna Moneymaker/Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro líder mundial a falar na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (20) (Foto: Anna Moneymaker/Getty Images)

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede) criticou a fala do presidente Jair Bolsonaro (PL) na ONU sobre o assunto. Bolsonaro abriu a Assembleia Geral, em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (20).

Durante o discurso, Bolsonaro declarou que “dois terços da Floresta Amazônica permanecem com vegetação nativa, que se encontra como estava quando Brasil foi descoberto em 1500”. Marina, ao comentar o assunto, disse que o presidente não consegue “ficar sem mentir”.

“Como sempre, Bolsonaro não consegue ficar sem mentir. Temos uma realidade em que, de janeiro até mês de agosto, temos 35 mil focos de calor. Temos mais de 10 mil km² de área destruída. E temos uma situação em que a violência aumenta a cada dia que passa, e um completo descontrole em fronteiras, em função das várias formas de crimes praticadas”, declarou a ex-ministra, em entrevista ao portal Uol.

Marina Silva acusou Jair Bolsonaro de distorcer dados ao falar sobre a preservação da floresta amazônica.

“A Amazônia já tem quase 20% da área desmatada e uma grande quantidade de áreas de floresta que estão degradáveis. Uma coisa é o corte raso, outra é a degradação, quando você faz o corte seletivo, tira árvores nobres e deixa a floresta empobrecida. Ele pega o corte raso, faz comparações e desconhece outras formas de destruição da floresta, como essas áreas degradáveis, que não teve corte raso, mas teve corte seletivo de madeira. Essa floresta fica suscetível a incêndios criminosos que propositadamente são feitos a cada ano para depois avançar sobre essas áreas.”

A ex-ministra declarou ainda que Bolsonaro não tem credibilidade para falar sobre Meio Ambiente. Segundo Marina, o presidente falou sobre o assunto porque é obrigado, mas, na realidade, tem “ojeriza”.

“Bolsonaro não tem nenhuma credibilidade sobre esse tema. Tanto internamente quanto na ONU. Bolsonaro foi obrigado a falar de meio ambiente porque é um tema que se torna cada vez mais relevante, e no Brasil entra no debate eleitoral. E é importante na decisão de voto de pessoas, inclusive do agronegócio que não quer ver seu investimento associado à violência contra indígenas, queimadas e destruição ambiental. Bolsonaro foi obrigado a falar de meio ambiente, tema sobre o qual tem total ojeriza.”