Marina ignora reforma trabalhista em plano

ANGELA BOLDRINI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - "Revogar, não. Mas eu vou corrigir os pontos draconianos, pode ter certeza", afirmou sobre a reforma trabalhista a candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, neste mês, em entrevista.

Se no discurso a ex-senadora afirma repetidas vezes que irá mexer nas regras aprovadas pela gestão Temer, as diretrizes programáticas não dão certeza do que a ex-senadora pretende fazer sobre o polêmico projeto do atual governo.

O termo "reforma trabalhista" não aparece nenhuma vez nas 61 páginas do documento divulgado na terça-feira (14).

O mesmo texto discorre explicitamente sobre propostas da candidata para outras reformas, como a tributária, a previdenciária e a política.

Tampouco são citados pontos que ela já falou em discursos e entrevistas que alterará.

Entre eles, estão a possibilidade de trabalho insalubre para gestantes e lactantes, o pagamento de honorários advocatícios por quem perder ação judicial e a permissão para que o horário de almoço seja de 30 minutos.

"Isso não é modernizar, isso é voltar a relações pré-modernas de trabalho", chegou a afirmar em entrevista em julho.

Em 2017, uma publicação no site da Rede também criticou o uso de intermitentes.

Apesar disso, nas diretrizes divulgadas, Marina cita propostas sobre emprego, mas não menciona diretamente a legislação trabalhista.

O documento de Marina afirma que a "criação de empregos dignos será o foco central" das políticas econômicas e sociais. Para tanto, defende a diminuição dos custos de contratação e "melhoria no ambiente de negócios, reduzindo a insegurança jurídica".

A campanha da candidata diz que o tema não foi tratado porque foram divulgadas só diretrizes, e não o plano completo. Segundo a equipe, Marina já tem se posicionado de "forma contundente" sobre os pontos que deverão ser revistos, e outros serão analisados em um eventual governo.