Marina Silva lamenta morte de cientista brasileiro pelo coronavírus: 'lamentável perder alguém como ele nessa área'

Juliana Dal Piva
O engenheiro químico Sergio Trindade, morto em decorrência do coronavírus

RIO — A ex-ministra Marina Silva (Rede) lamentou nesta sexta-feira a morte do cientista Sérgio Campos Trindade, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2007 junto com integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em decorrência do novo coronavírus.

Segundo familiares do pesquisador, ele era uma pessoa bastante saudável e, mesmo com quase 80 anos, não tinha doenças pré-existentes. Ele adoeceu depois que participou do Fórum "II World Sustainable Development" entre 5 e 7 de março em Durango, no México.

Marina Silva contou ao GLOBO que tinha sido convidada para o mesmo Congresso, mas depois decidiu não viajar porque se enquadra no grupo de risco ao novo coronavírus.

— Tinha sido convidada e era para ter ido dia 3 de março, mas, exatamente em função da pandemia, cancelei. Já tinha cancelado uma ida para o Japão em fevereiro. Cancelei cinco viagens nos últimos dois meses por causa da pandemia. Ele estava na organização junto com outras pessoas. É lamentável que tudo isso tenha acontecido — afirmou Marina. — Sabia da importância do trabalho dele. É uma lamentável demais perder alguém como ele nessa área, como estão também se perdendo pessoas de outras áreas — completou, ressaltando a importante trajetória de pesquisa de Trindade.

A ex-ministra, que também disputou as últimas três eleições presidenciais, elogiou os esforços do Ministério da Saúde, do Congresso Nacional, dos governadores dos estados e até da imprensa em meio à crise.

Ela, no entanto, criticou o que considera ser uma falta de liderança do presidente Jair Bolsonaro.

— O ministro tem se esforçado mesmo dentro desse governo, para o qual não temos nem palavras para caracterizar a falta de responsabilidade, altura e profundidade para enfrentar uma situação dessa — afirmou Marina.

— Também, para ser justa, a ação do Congresso Nacional, dos governadores e o papel da imprensa. Tudo isso tem sido muito importante em meio à ausência de liderança do presidente. Ele não toma as medidas e fica disputando protagonismo com São Paulo, Rio de Janeiro e com quem mais apareça — criticou ela. — Todos os esforços agora precisam ser para que não se permita que aconteça o pico de casos — afirmou a ex-ministra, citando a preocupação com que a doença chegue em alta escala às comunidades carentes.

Para a ex-ministra do Meio Ambiente, depois da pandemia o mundo precisará refletir sobre os rumos da vida em sociedade.

— É uma situação que o mundo nunca viu, e é preciso agir com todo senso de responsabilidade e usando toda a técnica para salvar a vida das pessoas. A gente compreende que o mundo não pode ser mais a mesma coisa depois. Todos os nossos esforços, recursos e prioridades têm que ser canalizados para o que interessa: a dignidade da vida. Isso é mais forte e importante que qualquer ideologia ou interesse econômico — disse Marina.