Duterte critica líderes estrangeiros que questionam sua "guerra antidrogas"

Manila, 14 nov (EFE).- O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, afirmou nesta terça-feira em Manila que não permitirá que um estrangeiro questione sua "guerra contra as drogas", depois de se reunir em Manila com líderes de todo o mundo, entre eles seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump.

Perguntado se Trump ou outros dos seus colegas mencionaram a campanha antidrogas nos seus múltiplos encontros bilaterais, Duterte respondeu que "só responde aos cidadãos da República das Filipinas" sobre este polêmico tema, ao assegurar que os estrangeiros desconhecem a realidade do país.

"Por que não averiguam primeiro e descobrem a verdade?", criticou o presidente filipino, que negou a existência de execuções extrajudiciais por parte do governo, durante a entrevista coletiva que encerrou a cúpula de dois dias da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A "guerra contra as drogas" deixou, segundo dados oficiais, 6.000 mortos, quase 4.000 deles supostos drogados ou traficantes abatidos pela polícia, desde que o político chegou ao poder em junho do ano passado.

Várias organizações internacionais pediram que a situação fosse denunciada aos líderes que se reuniram com Duterte em Manila, entre eles o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, conhecidos por suas posições ativas a favor dos direitos humanos.

No encontro de ontem entre Duterte e Trump, ambos se comprometeram a defender a vida e os direitos humanos em termos gerais, e o presidente filipino detalhou ao americano as conquistas da "guerra antidrogas", ao ter reduzido quase pela metade o número de crimes no país.

A cúpula de Manila reuniu os líderes dos países da ASEAN - Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã - além de presidentes ou primeiros-ministros de EUA, China, Coreia do Sul, Japão, Índia, Rússia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, junto a representantes da União Europeia e da ONU.

Duterte entregou o comando da ASEAN a Lee Hsien Loong, primeiro-ministro de Cingapura, que assumirá a presidência rotativa do grupo em 2018. EFE