M5S desiste de aliança com a Liga Norte para formar governo na Itália

Roma, 23 abr (EFE).- O líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S), Luigi Di Maio, abandonou as negociações para a formação de um governo na Itália com a Liga do Norte (LN).

"Que não digam que eu não tentei até o final", escreveu Di Maio, líder do partido mais votado nas eleições de março.

Di Maio afirmou que compreendeu que o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, não queria assumir a responsabilidade de governar o país.

"Sinceramente, não consigo compreender porque ele prefere permanecer na oposição pelo bem de seus aliados em vez de governar pelo bem dos italianos. Deverá prestar contas aos empresários, aposentados e jovens que nele votaram", lamentou.

Salvini decidiu não romper a aliança entre a Liga Norte e o Forza Itália, partido de Silvio Berlusconi. Di Maio se nega taxativamente a negociar qualquer coalizão de governo com o ex-primeiro-ministro.

Sem acordo, o presidente da Itália, Sergio Mattarella, encarregou o presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, do MS5, a buscar uma aliança com o Partido Democrata (PD), de centro-esquerda.

"Tomei essa decisão depois do fracasso de um governo de centro-direita", ressaltou Di Maio.

Fico deverá mediar um acordo entre o M5S e o PD até quinta-feira. No entanto, o partido do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi já antecipou que quer permanecer na oposição e que não apoiará um governo da direita ou do M5S.

"Se o voto dos italianos e a democracia ainda contarem em algo, os únicos que não podem governar são o PD e a esquerda, que perdeu", disse Salvini em um ato no norte do país.

Os partidos que fazem parte da Liga Norte foram os mais votados nas eleições realizadas em março, mas nenhum deles obteve apoio suficiente para garantir maioria no parlamento. O M5S, dessa forma, é o partido com mais representantes no Legislativo.

Di Maio afirmou que essa semana será decisiva para a formação do governo no país e que está otimista. Para ele, não se trata de estabelecer uma aliança com o PD, mas sim um "contrato" para que ele possa colocar em prática seu programa eleitoral.

"Meu programa não é de direita ou de esquerda, mas de bom senso", afirmou o líder do M5S. EFE