Marines dos EUA retornam à província afegã de Helmand

Por Wakil KOHSAR
Marines americanos carregam companheiro ferido em explosão, em 2011 na província de Helmand

Os primeiros Marines americanos retornaram a Helmand, província do sul do Afeganistão controlada em parte pelos talibãs e da qual haviam se retirado em 2014 sem conseguir controlar os rebeldes.

Os primeiros trinta Marines - fuzileiros navais -, de um destacamento total de 300 que serão mobilizados prgressivamente, chegaram nos últimos dias, informaram vários deles à AFP.

O destacamento se mobiliza em meio ao início da ofensiva de primavera dos talibãs, motivada pelas recentes conquistas territoriais.

Uma cerimônia que contará com a presença do general John Nicholson, chefe das forças americanas no Afeganistão, marcará o retorno deste corpo de prestígio que sofreu grandes perdas nesta agitada província, centro de produção de papoula no país.

O envio deste destacamento é realizado no âmbito das rotações do exército americano, que conta com 8.400 homens mobilizados sob o mandato da Otan no país, sobretudo em apoio às forças afegãs em sua luta contra os combatentes islamitas. No entanto, 2.150 deles dirigem missões contra grupos acusados ​​de terrorismo.

Diferentemente de suas estadias anteriores, desta vez não está previsto que os Marines participem diretamente do combate aos rebeldes. Sua missão consistirá em treinar e assessorar os comandos do exército e da polícia afegãos.

Na província de Helmand, fronteiriça com o Paquistão, os Estados Unidos e o Reino Unido sofreram no passado centenas de baixas em suas fileiras.

Helmand também é a província onde se cultiva a papoula, de onde se extrai o ópio, a droga da qual os talibãs obtêm a maioria de suas receitas através das taxas impostas aos proprietários dos cultivos.

Os talibãs ameaçam se apropriar da capital da província de Helmand, Lashkar-Gah.

- Talibãs e criminosos -

"O Corpo de Marines tem um passado operacional no Afeganistão, especialmente na província de Helmand", disseram os responsáveis. "Assessorar e ajudar as forças de segurança afegãs contribuirá para preservar as conquistas obtidas junto aos afegãos" em anos anteriores, estimam.

"Se as forças afegãs e os Marines combaterem juntos o terrorismo em Helmand, podemos esperar resultados tangíveis", confidenciou o especialista militar Mirza Mohammad Yarman, general reformado.

As forças afegãs perderam terreno para os talibãs nos últimos tempos e agora só controlam 57% dos 460 distritos do país.

Além disso, desde a retirada dos Marines e da maioria das forças de combate ocidentais, no final de 2014, o grupo extremista Estado Islâmico se instalou no leste do país, em alguns distritos de Nangarhar.

A situação de Helmand é particular, como apontou no último inverno o general John Nicholson: o problema não é apenas bloquear os talibãs, mas também as redes criminosas que prosperam com o tráfico de drogas, explicou.

"Não se pode ver apenas um confronto entre o governo e os talibãs", declarou. "O que vemos na província de Helmand são redes de criminosos em conexão com os rebeldes que lutam para conservar a sua capacidade de ganhar dinheiro".

O Afeganistão é o maior produtor mundial de ópio. A ONU avaliou a produção de 2016 entre 4.600 e 6.000 toneladas, em forte aumento (3.300 toneladas em 2015), com um crescimento das áreas cultivadas de 10% em um ano.