Mario Draghi aceita formar governo de unidade na Itália

Kelly VELASQUEZ
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O economista Mario Draghi tem a missão de formar um novo governo na Itália

O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o economista Mario Draghi, recebeu nesta quarta-feira (3) a missão de formar um novo governo na Itália e pediu "unidade" para que o país consiga enfrentar um "momento difícil".

Draghi, que "se reservou o direito de aceitar", anunciou que iniciará consultas com todos os partidos para examinar se pode contar com uma maioria estável no Parlamento para substituir o governo liderado pelo atual primeiro-ministro Giuseppe Conte.

"Este é um momento difícil. O presidente (Sergio Mattarella) recordou a dramática crise de saúde, com os graves efeitos para a vida das pessoas, a economia e a sociedade", declarou à imprensa, depois de receber oficialmente o pedido para formar o governo.

"Confio na unidade dos partidos políticos e grupos parlamentares", completou.

Draghi foi convocado pelo presidente Mattarella após o fracasso das negociações pelas graves divergências entre os partidos da coalizão de governo liderada por Conte.

Na terça-feira, Mattarella, o único que pela Constituição designa o primeiro-ministro ou dissolve o Parlamento, fez um apelo às forças políticas para que apoiem "um governo de alto perfil" e "forte", para enfrentar a emergência de saúde e para implementar o colossal plano financiado pela União Europeia para a reconstrução da Itália.

"Pedirei com respeito ao Parlamento seu apoio", disse Draghi.

Draghi, de 73 anos, com ampla experiência na gestão da política econômica italiana e europeia, não terá o caminho fácil.

A nomeação de Draghi, que é uma personalidade acima dos partidos políticos, foi recebida com entusiasmo pela Bolsa de Valores de Milão. As ações de bancos registravam alta de 3% por volta do meio-dia.

- "Apóstolo das elites" -

Considerado o salvador da zona do euro em 2012, quando a crise da dívida atingiu a economia do velho continente, Draghi desencadeia reações mistas entre a classe política.

As duas formações da coalizão de governo demissionária, o Partido Democrático (PD, centro-esquerda) e o Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema), saem enfraquecidas após divisões e vetos cruzados, depois que o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi retirou na semana passada o apoio de seu pequeno, mas importante, partido Itália Viva.

Depois de descartar, por enquanto, a realização de eleições antecipadas porque "há o risco de que os contágios de covid-19 aumentem", como advertiu Mattarella, o economista deu início imediatamente às consultas.

Obter o apoio do M5E será muito difícil depois que um de seus dirigentes, o senador Vito Crimi, anunciou sua rejeição a um governo liderado por um "técnico", que alguns setores do movimento passaram a rotular de "apóstolo das elites".

O prestigioso economista espera repetir, no entanto, a chamada "fórmula de Ursula" que levou à eleição da atual presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, graças à união de várias forças políticas.

Para isso, ele deve conquistar o apoio do Partido Democrático (PD) de centro-esquerda e também de pequenos grupos de centro-direita e provavelmente da direita moderada da 'Forza Italia', partido de Silvio Berlusconi.

Por enquanto, o líder do PD, Nicola Zingaretti, garantiu que está "aberto ao diálogo pelo bem do país".

Conhecido por sua discrição, seriedade e determinação, Draghi espera reviver a economia em dificuldades da Itália graças a um gigantesco plano de mais de 200 bilhões de euros (240 bilhões de dólares) financiado pela União Europeia.

A covid-19, que já custou a vida a quase 89.000 pessoas no país, causou uma queda no Produto Interno Bruto de 8,9% em 2020, uma das piores quedas na zona do euro.

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