Mario Draghi faz juramento como primeiro-ministro da Itália

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O presidente italiano Sergio Mattarella (e) e o primeiro-ministro Mario Draghi

Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), fez juramento formal ao cargo neste sábado (13) como primeiro-ministro da Itália, após semanas de instabilidade na terceira economia da zona do euro.

"Juro lealdade à República", declarou Draghi diante do chefe de Estado do país, Sergio Mattarella, em uma cerimônia no palácio presidencial transmitida ao vivo pela televisão.

Draghi anunciou a lista de 23 ministros, composta por políticos de diferentes correntes e importantes tecnocratas, que terão a tarefa de resgatar o país após a pandemia.

Draghi substitui Giuseppe Conte, depois de conseguir o apoio de quase todos os partidos políticos para formar um governo de unidade que tire o país das duas crises que atravessa, sanitária e econômica.

"Super Mario", como costuma ser chamado pelo seu papel na crise da dívida europeia em 2012, deverá se submeter ao voto de confiança no Parlamento na próxima semana.

A Itália vive em fevereiro uma crise política em plena pandemia e com a pior recessão de sua história recente.

- A era Draghi -

"Começa a era Draghi", escreveu o jornal Il Corriere della Sera, ao fazer uma análise do novo Executivo e de seu líder, que começa com 62% de popularidade, segundo as pesquisas.

No fim das cerimônias, o ex-presidente do BCE convocou neste mesmo sábado seu primeiro conselho de ministros, no qual participam personalidades de sua total confiança.

Entre elas está Daniele Franco, especialista em finanças públicas e vice-governador do banco central, o Banco da Itália, que ocupa o ministério da Economia e Finanças.

Franco terá que adminstrar a gestão do fundo de 200 bilhões de euros (240 bilhões de dólares) concedidos pela União Europeia para encarar a pandemia e reativar a economia.

O novo primeiro-ministro italiano escolheu perfis técnicos para as áreas onde implantará as maiores reformas, entre elas a justiça, transação ecológica e digital.

Draghi, que conquistou o apoio quase unânime de todos os partidos políticos, tanto de esquerda como de direita, para formar um governo de unidade diante da crise, será submetido na próxima semana à confiança do Parlamento, na quarta-feira no Senado e na quinta-feira na Câmara dos Deputos, o último ato oficial.

O maior partido no Parlamento, os antissistema do Movimento 5 Estrelas, aprovou na quinta-feira com uma votação interna o governo liderado pelo renomado economista.

No entanto, o resultado gerou agitação interna e desencadeou o protesto de cerca de 30 parlamentares que podem votar contra Draghi, que consideram um defensor das elites.

A designação de um novo ministério para a "transação ecológica", de responsabilidade do reconhecido físico e informático Roberto Cingolani, que trabalhava na gigante italiana da aeronáutica Leonardo, deve acalmar as bases.

As dificuldades apenas começaram para Draghi, de 73 anos, conhecido por sua discrição, seriedade e determinação.

A Itália, que se aproxima das 100.00 mortes por covid-19, registrou uma das piores quedas do PIB da zona do euro em 2020, com uma perda de 8,9%.

Sua chegada ao poder foi aplaudida pelos mercados financeiros e representa uma novidade para a história da Itália.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escreveu no Twitter que a experiência de Draghi "será um recurso excepcional para a Itália e para a Europa" e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson parabenizou Draghi também no Twitter.

"Hoje é um dia histórico. Este é o governo da responsabilidade nacional, da pacificação entre as forças políticas", resumiu a jornalista veterana Federica Mango.

"É difícil não exagerar sobre a magnitude dos desafios que Draghi e a Itália vão enfrentar", comentou Luigi Scazzieri, do Centro Europeu de Reformas.

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