Marlene Mattos assume o marketing e os eventos da Feira de São Cristóvão para combater crise financeira

Regiane Jesus
·4 minuto de leitura

RIO — Quem bateu asas do sertão e fez do Rio sua nova morada tem no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas um lugar de acolhimento, de retorno às origens, onde sente-se o paladar da infância e ouve-se um som bem familiar, o do forró. A casa carioca dos que nasceram em um dos nove estados da parte superior direita do mapa do Brasil é a Feira de São Cristóvão, que, assim como o Cristo Redentor, recebe de braços abertos todos os que lá chegam, sem preconceito. Mas o espaço marcado pelas lembranças e pela alegria sofre com o abandono há tempos. A crise se agravou ainda mais com a chegada da Covid-19, que fez com que as suas portas ficassem fechadas, no ano passado, por 112 dias e que apenas 30% dos comerciantes tivessem condições de reabrir suas barracas em julho, quando houve autorização para a retomada das atividades.

Nesse contexto, em que o choro insiste em tentar substituir as gargalhadas que simbolizam esse simpático cantinho nordestino, a produtora e diretora de TV Marlene Mattos chega com a missão de responder pelo marketing e pelos eventos, unindo forças a uma comissão administradora que trabalha duro para reerguer a Feira de São Cristóvão.

Nascida em São José de Ribamar, no Maranhão, Marlene veio para o Rio, aos 15 anos, em busca de uma vida melhor, como tantos outros nordestinos. Sinônimo de sucesso, a diretora de TV, que ficou famosa na década de 1980, já foi gestora do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, em 2012, e agora está de volta. Desta vez, exclusivamente para colocar a sua criatividade e poder de realização a serviço do lugar.

— A Feira passa por um momento delicado, não apenas por um problema causado pela pandemia, mas por outras questões. A iluminação de lá é feita por gerador porque a energia elétrica está cortada, água só com carro-pipa, porque também não há fornecimento. Não sou gestora, então a minha função é apenas a de motivar as pessoas que tentam tirar o seu sustento dali. Há muitas barracas fechadas, mas vão abrir! Vamos unir forças para vencer todos os desafios — diz Marlene. — A luta da feira é a do nordestino, que pode ter deixado a fome, a sede, mas tem que batalhar todo dia para viver com dignidade.

Além do caráter motivacional da sua função, a responsável pelo marketing e os eventos está criando atrações para levar o público a visitar o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas sem causar aglomeração, seguindo todos os protocolos de segurança indispensáveis ao combate à Covid-19.

— Nos dias 6 e 7 de março, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, vamos ter uma série de ações. Firmamos uma parceria com a Embelleze, que vai montar um salão gigantesco para embelezar as mulheres. Teremos palestras sobre empreendedorismo, autoestima e educação sexual, além de diversas oficinas. O produtor cultural Eduardo Araúju vai fazer um desfile de lingerie com mulheres da terceira idade, as mesmas que estampam o projeto Senhoras do Calendário. Todas estas atividades serão gratuitas. Só vamos cobrar a entrada, que custa R$ 6. Deste valor não dá para abrir mão.

Marlene espera ter o apoio da prefeitura neste movimento de revitalização.

—Todo o segmento cultural e de lazer foi fortemente afetado pela pandemia, mas o prefeito Eduardo Paes ama e respeita o Rio. Contamos com o apoio e a colaboração dele para recuperar a Feira de São Cristóvão para os seus legítimos donos, os nordestinos — afirma.

O caderno Tijuca + Zona Norte entrou em contato com a Secretaria municipal de Cultura para saber quais são os projetos para o espaço. O órgão se posicionou por meio de nota.

“A Feira de São Cristóvão é uma das principais identidades da cidade, além de ser importante para o turismo e para a geração de renda. A Secretaria municipal de Cultura do Rio de Janeiro herdou um equipamento em condições precárias. Nomeamos um novo representante da prefeitura na feira, que neste momento está dialogando com a comissão gestora — eleita pelos próprios feirantes — e prepara um diagnóstico. Como assumido na campanha pelo prefeito Eduardo Paes, a prefeitura está trabalhando para o desenvolvimento desse patrimônio cultural”.

Esta é a expectativa dos comerciantes do local. A paraibana Cleide Barbosa, que tem uma barraca de tapeçarias, almofadas e rendas, lembra com nostalgia dos bons tempos da Feira de São Cristóvão.

— O movimento está muito fraco, mas a gente vai virar o jogo — frisa.

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