Maroon 5 abre mês de estrelas internacionais pelos palcos do Rio

Sérgio Luz

RIO — O ano só começa depois do carnaval, diz a sabedoria popular. Em 2020, quando o assunto é show internacional, a máxima é verdadeira. Após a folia de Momo, o mês de março já prepara para os cariocas uma agenda repleta de estrelas para todos os gostos: do pop açucarado do Maroon 5, que toca neste sábado (7/3), na área externa da Jeunesse Arena, passando pelo hard rock de Sammy Hagar (dia 18), ex-vocalista do Van Halen, até o jazz sem barreiras do guitarrista americano Pat Metheny (dia 17). Há ainda Backstreet Boys e o grupo de rock progressivo Renaissance, entre muitos outros.

Maroon 5, sábado (7/3)

Liderado pelo carismático cantor, ator e apresentador Adam Levine, o grupo ganhou o mundo apostando num pop radiofônico de pegada suingada funk água com açúcar. Em quase duas décadas de carreira, foram seis passagens pelo Brasil, incluindo participações nas edições 2011 e 2017 do Rock in Rio.

O show que chega ao Rio amanhã, inaugurando a área externa da Jeunesse Arena, no estacionamento, faz parte de uma turnê de 51 apresentações que estreou no último dia 23, na Cidade do México. Além do Brasil, a banda ainda passa por Uruguai, Argentina, Colômbia, Canadá e EUA, onde segue até o dia 27 de setembro.

A apresentação, com abertura dos brasileiros da banda Melim, traz um apanhado de sucessos da trajetória do septeto, com canções de seus seis discos de estúdio, como “This love” — hit que colocou o conjunto no mapa —, o pop-chiclete “Sugar”, a dançante “Moves like Jagger” e o soul “Sunday morning”, um dos pontos altos do cancioneiro da banda.

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Uma das atrações principais do festival Viña del Mar, no Chile, um dos mais tradicionais da América Latina, o Maroon 5 foi muito criticado pelos fãs locais por seus músicos parecerem “entediados” no palco no show do último dia 27. Estrela do programa “The Voice” dos EUA, Levine se desculpou nas redes sociais, queixando-se de problemas técnicos: “Isso afetou o meu comportamento no palco, o que não era profissional, e peço desculpas.”

Jeunesse Arena (área externa): Av. Embaixador Abelardo Bueno 3.401, Barra — 2430-1750. Sáb, às 20h15, Melim. Às 21h15, Maroon 5. De R$ 380 a R$ 690. 18 anos.

Celebrando 50 anos de Jethro Tull, domingo (8/3)

Guitarrista original do Jethro Tull, Martin Barre revisita a trajetória de sua antiga banda, uma das mais influentes da história do rock progressivo, com músicas como “Aqualung” e “Thick as a brick”. No Rio, os tecladistas Dee Palmer, ex-integrante do grupo, e Adam Wakeman (filho de Rick Wakeman, do Yes), reforçam o time de músicos tarimbados reunidos para o espetáculo.

Vivo Rio: Av. Infante Dom Henrique 85, Aterro do Flamengo — 2272-2901. Dom, às 20h. De R$ 180 a R$ 360. 18 anos.

Amon Amarth, domingo (8/3)

Com abertura do grupo alemão Powerwolf, o quinteto sueco de death metal melódico apresenta show do disco “Berseker”, seu último trabalho de estúdio, lançado no ano passado.

Circo Voador: Dom, às 18h. R$ 400. 18 anos.

Backstreet Boys, dia 13

Na tsunami de boy bandsque invadiu as rádios d o planeta nos anos 1990, o Backstreet Boys foi o que grupo que mais se destacou, ao lado do N’Sync, de onde saiu Justin Timberlake, com uma bem-sucedida carreira solo. Com clipes de orçamentos estratosféricos — como o de “Everybody (Backstreet’s back)” —, baladas de refrão pegajoso e muita publicidade, os jovens AJ, Brian, Howie, Kevin — que ficou fora do grupo entre 2006 e 2012 — e Nick marcaram toda uma geração de adolescentes. Hoje quarentões, os cinco cantores voltam ao Rio para apresentar o show da “The DNA world tour”, uma superprodução que inclui hits de todos os seus discos, que venderam mais de 130 milhões de cópias, como “As long as you love me”, “Quit playing games with my heart” e “I want it that way”, sucesso até hoje nos karaokês cariocas.

Jeunesse Arena: Dia 13, às 21h30. De R$ 290 a R$ 740.

Pat Metheny, dia 17

Aos 65 anos, o guitarrista americano leva ao palco do Vivo Rio a turnê “An evening with Pat Metheny”, na qual toca acompanhado pelos virtuoses Antonio Sanchez (bateria), Linda May Han Oh (baixo) e Gwilym Simcock (piano). Apesar de refutar rótulos, o músico foi eleito há poucos anos para fazer parte do Downbeat Hall of Fame — da prestigiada revista de jazz. Ele é o quarto guitarrista a entrar no seleto grupo, ao lado dos lendários Django Reinhardt, Charlie Christian e Wes Montgomery.

— Eu não sou muito fã da ideia de “gênero” ou estilos de música, para início de conversa. Para mim, a música é algo universal. Os músicos que mais admirei foram aqueles que tinham um profundo reservatório de conhecimento não apenas sobre música, mas também sobre a vida em geral, e que são capazes de iluminar as coisas que amamos por meio de suas obras. Eu realmente apenas tento representar de forma honesta no meu som as coisas que amo na música — diz Metheny, por e-mail.

Mesmo com a perda de espaço da guitarra no mainstream, o artista acredita que o instrumento segue em alta conta.

— Há muitos guitarristas incríveis tocando por aí. No alto da lista eu colocaria seus próprios Chico Pinheiro e Pedro Martins (vencedor da Socar Guitar Competition da 49ª edição do Montreaux Jazz Festival), ambos músicos fantásticos.

O roteiro inclui temas das mais de quatro décadas de carreira de Metheny, como peças gravadas ao lado do pianista Brad Mehldau (“Make peace”) e do contrabaixista Charlie Haden (“First song”), assim como músicas do Pat Metheny Group, um de seus principais projetos.

Vivo Rio: Ter, dia 17, às 21h30. De R$ 220 a R$ 320. 18 anos.

Sammy Hagar, dia 18

Em 1985, o cantor e guitarrista Sammy Hagar, então com 38 anos, já era um artista respeitado no mundo do hard rock devido a uma digna carreira solo e a seu trabalho no grupo Montrose. Mas o estrelato chegou quando o americano foi convidado para substituir o showman Dave Lee Roth como vocalista do Van Halen, ajudando a banda a fazer um som mais radiofônico e sofisticado ao mesmo tempo.

Durante seus 12 anos no grupo do guitarrista Eddie Van Halen, o músico lotou estádios e arenas, vendeu milhões de discos e se consolidou como um dos maiores cantores da história do gênero.

Agora acompanhado pelo The Circle, formado em 2014 por Michael Anthony (baixo) — seu ex-companheiro de Van Halen —, Vic Johnson (guitarra) e Jason Bonham, filho de John Bonham, baterista do Led Zeppelin, ele revê todos os clássicos de sua trajetória, como “There’s only one way to rock” e “Can’t drive 55”, além de “Right now” e “Why can’t this be love”, sucessos do Van Halen.

Vivo Rio: Qua, dia 18, às 21h. De R$ 150 a R$ 220. 18 anos.

Dire Straits Legacy, dia 20

Muitos fãs torceram o nariz quando ex-integrantes do Dire Straits anunciaram o projeto, já que o fundador, compositor e guitarrista Mark Knopfler não participaria. Em todo o caso, Jack Sonni, Mel Collins, Alan Clark e Phil Palmer resolveram convidar outros músicos para relembrar os clássicos de seu antigo grupo.

— O Mark era a força criativa por traz do imenso sucesso do Dire Straits, mas nós todos participamos da banda e tentamos recuperar o som e a atmosfera com respeito e paixão. É uma celebração das canções do Mark — resume o guitarrista Phil Palmer, um dos músicos de estúdio da Inglaterra mais requisitados dos últimos 50 anos.

Assim como Knopfler, Palmer também é conhecido por tocar sem palheta, técnica que consagrou o autor de “Sultans of swing”, “Romeo and Juliet” e “Brothers in arms”.

— Também fui inspirado por Chet Atkins e Scotty Moore, assimc omo o Mark. Logo, fui uma escolha natural para tocar no Dire Straits — conta Palmer. — Quem toca aqueles solos no nosso show hoje é o talentoso Marco Caviglia, que passou anos estudando para dominar o estilo do Mark. Acho que assim funciona melhor.

Km de Vantagens Hall: Dia 20, às 22h. De R$ 120 a R$ 350

Turilli/Lione Rhapsody, dia 20

A banda italiana de metal sinfônico toca as faixas de seu primeiro disco, “Zero gravity”. O vocalista é Fabio Lione, que também é o atual cantor da banda brasileira Angra.

Circo Voador: Dia 20. R$ 360.

The Offspring, dia 21

Formada nos anos 1980, a banda californiana só explodiu na década seguinte, com o seu terceiro trabalho de estúdio, o arrasa-quarteirão “Smash” — que vendeu mais de dez milhões de cópias em todo o mundo e se consagrou como o disco mais bem-sucedido de uma gravadora independente —, na esteira de um punk rock mais palatável com pitadas de pop, como os contemporâneos do Green Day.

Atração da edição de 2017 do Rock in Rio, o grupo volta à cidade para desfilar sua grande coleção de sucessos, como “Come out and play”, “Americana”, “Pretty fly (for a white guy)” e “Self esteem”. Covers de Ramones (“Blitzkrieg Bop”) e AC/DC (“Whole lotta Rosie”) são comuns em seu repertório. A abertura é da banda conterrânea Pennywise, que vem com a turnê do álbum “Never goona die”, lançado em 2018.

Jeunesse Arena: Sáb, dia 21. De R$ 260 a R$ 300. 18 anos.

Renaissance, dia 21

Formado por uma costela do supergrupo The Yardbirds — por onde passaram alguns dos maiores guitarristas de rock da história, como Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page —, o Rennaisance se consagrou em seus 51 anos de carreira como um dos grandes nomes do rock progressivo. E muito se deve à rara voz de cinco oitavas de alcance da cantora Annie Haslam.

— A história é verdadeira. Eu vi um anúncio de um grupo que procurava uma vocalista na revista “Melody Maker”. Cantei “Island” na minha audição. E repetimos essa canção 50 anos depois, ao lado de uma orquestra. Foi muito emocionante — conta Annie, por telefone.

Aos 72 anos, a artista é das poucas de sua geração que mantém ainda um timbre vocal jovial e cristalino.

— Eu tive pausas na estrada, não ficamos tão grandes quanto um Paul McCartney — brinca. — Eu adoro beber vinho, mas me cuido, não tomo todo dia, muito menos antes das turnês. Minha mãe teve uma voz jovem até morrer. E agradeço a ela, pois a minha é igual. E não fumo, cuido bastante bem dela.

Annie, que promete aos fãs brasileiros um show repleto de sucessos, como “Northern lights” e “Song for all seasons”, dá um alerta:

— É possível que eu me aposente dos palcos no próximo ano. Minha voz ainda é forte, mas a estrada está cobrando seu preço. A chance é agora — diz a cantora, que guarda boas lembranças de um show em Petrópolis nos anos 1990. — Bati uma foto do céu e apareceu um rosto, como o de Jesus, foi incrível. Era um OVNI! Será que vão achar que eu sou louca? (risos).

O show que o Renaissance faz no Vivo Rio, dia 21, terá abertura da banda Curved Air, liderada pela cantora Sonja Kristina. Os dois shows são completos e separados.

Vivo Rio: Sáb, dia 21, às 21h. De R$ 280 a R$ 400. 18 anos.

McFly, dia 22

Para quem não é fã de cinema de aventura dos anos 1980, vale explicar. O nome da banda pop londrina, fundada em 2003, é uma homenagem a Marty McFly, personagem eternizado por Michael J. Fox na trilogia “De volta para o futuro”, de Robert Zemeckis.

Com fama de engraçadinhos, para o bem ou para o mal, Tom Fletcher (voz, guitarra e piano), Danny Jones (voz, gaita e guitarra), Dougie Poynter (baixo) e Harry Judd (bateria) colecionaram sucessos desde sua estreia em disco, com “Room on the 3rd floor” (2004), até o anúncio de um hiato indefinido depois da turnê de 2016.

Para a alegria dos fãs, o quarteto, que é influência assumida dos rapazes do One Direction, por exemplo, confirmou o retorno do grupo no início do ano passado. O show que vem ao Brasil marca esse retorno e conta com faixas como “One for the radio”, “Falling in love”, “All about you” e “This heart never lies”. Há ainda espaço para uma já conhecida, competente e celebrada versão de “Don’t stop me now”, clássico eternizado na voz de Freddie Mercury no Queen.

Km de Vantagens Hall: Dia 22, às 20h30. De R$ 300 a R$ 650.

Keyon Harrold, dia 25

Exaltado por Wynton Marsalis como “o futuro do trompete”, o americano de 39 anos — que já gravou para nomes como Beyoncé e Jay-Z — mostra seu jazz sem fronteiras na inauguração do novo Blue Note Rio, no lugar onde era o Jazzmania.

Blue Note Rio: Av. Vieira Souto 110, Arpoador — 3799-2500. Qua, dia 25, às 20h e às 22h30. R$ 180. 18 anos.