Marrocos e Espanha trocam declarações tensas antes de audiência do líder da Frente Polisário

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Nasser Bourita, ministro marroquino das Relações Exteriores

Rabat e Madri encenaram uma tensa troca de declarações nesta segunda-feira (31), às vésperas do comparecimento à Justiça espanhola do líder do movimento independentista Frente Polisário, Brahim Ghali, que, ao chegar à Espanha, em abril, provocou uma grande crise entre os dois países.

No início, o Marrocos descreveu o caso como um "teste de confiabilidade da parceria bilateral", insistindo em obter um "esclarecimento sem ambiguidades" da Espanha, segundo nota do Ministério das Relações Exteriores.

"A crise não se limita à questão de um homem [...] Trata-se, acima de tudo, de uma questão de confiança e respeito mútuo rompida entre Marrocos e Espanha. É um teste à confiabilidade da parceria" bilateral, afirma o texto do Ministério.

O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, considerou nesta segunda-feira, durante coletiva de imprensa com o seu homólogo polonês, Mateusz Morawiecki, que "não é admissível que se abram as fronteiras para que 10.000 migrantes possam entrar em menos de 48 horas em uma cidade espanhola como Ceuta, por divergências e divergências, discrepâncias, na política externa".

Sánchez, que reiterou que o Marrocos é um aliado "estratégico" da Espanha, ressaltou que essa relação deve ser baseada no "respeito" e na "confiança". "O Marrocos não pode esquecer que não tem maior ou melhor aliado na União Europeia do que a Espanha", frisou.

Ghali, hospitalizado na Espanha desde meados de abril, deve comparecer por videoconferência à Justiça nesta terça-feira para duas investigações, uma por "tortura" e outra por "genocídio".

Madri justificou ter acolhido o líder saaraui por "razões humanitárias", mas essa decisão provocou a ira de Rabat, que respondeu reduzindo seus controles fronteiriços em meados de maio e permitindo a passagem de milhares de imigrantes marroquinos para o enclave espanhol de Ceuta.

Essas declarações provocaram uma resposta imediata por parte da diplomacia marroquina, que ressaltou que "a crise bilateral não está ligada à questão da migração". Rabat exige há dias uma investigação "transparente" das condições da chegada do líder independentista, que, segundo seus serviços, viajou de forma "fraudulenta", com "um passaporte falso".

Em sua declaração, o chefe da diplomacia marroquina afirmou que "essas dificuldades não nos devem fazer esquecer que a solidariedade está para a parceria como a confiabilidade está para a boa vizinhança", negando qualquer forma de "chantagem". A crise "não pode ser resolvida apenas com uma audiência" do líder da Polisário, indica o primeiro comunicado publicado pelo ministério marroquino.

Ghali, que, segundo a Frente Polisário, tem 71 anos, deve comparecer para responder sobre uma denúncia de suposta "tortura", apresentada por um dissidente do movimento independentista que obteve a nacionalidade espanhola. A Justiça espanhola reabriu também um processo contra ele por supostos "crimes contra a humanidade" na sequência de uma denúncia antiga apresentada por uma associação saaraui, que o acusa de "violações dos direitos humanos" contra dissidentes dos campos de Tindouf, no oeste da Argélia .

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