Marselha, Cannes, Istambul: cidades do Mediterrâneo devem sofrer com tsunami nas próximas três décadas, diz Unesco

As chances de um tsunami atingir cidades do mar Mediterrâneo nas próximas três décadas se aproximam de 100%, segundo a Unesco. Ainda de acordo com o órgão da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, o aumento dos níveis dos mares provocado pelo aquecimento global, tende a aumentar os danos causados pelas ondas de origem sísmica. A organização anunciou também, nesta quarta-feira, quatro cidades do Mediterrâneo que entrarão para o programa "Pronto para o Tsunami", que visa ajudar a comunidades costeiras a se prepararem para essas ocorrências.

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Segundo a Unesco, foram adicionadas à lista Marselha e Cannes, na França; Chipiona, na Espanha; Alexandria, no Egito; Istambul, na Turquia. O anúncio acontece uma semana antes de ter início em Lisboa uma conferência da ONU sobre oceanos.

"Embora a maioria dos tsunamis afete as populações costeiras das regiões do Pacífico e do Oceano Índico, todas as regiões oceânicas estão em risco. As estatísticas mostram que a probabilidade de uma onda de tsunami ultrapassar 1 metro no Mediterrâneo nos próximos 30 anos é próxima de 100%.", diz a nota da Unesco.

Onda de 1,5 metros já são capazes de empurrar carros, e, mesmo as menores que isso, conseguem viajar a uma velocidade de até 65 km/h. Tanto o tsunami que atingiu a Ásia em 2004 quanto o que avançou sobre o Japão em 2011 tinham uma altura de cerca de 10 metros. Segundo o Centro Alemão de Pesquisas em Geociências, terremotos na região do mediterrâneo podem atingir magnitudes de 7,5 e 8, o que poderia provocar ondas de até 6 metros.

— O risco de tsunami é subestimado na maioria das áreas, incluindo o Mediterrâneo. Os eventos não são muito frequentes e o risco não se traduz de uma geração para outra. No Mediterrâneo, não há dúvida sobre isso: não é se, é quando — disse, ao jornal The Guardian, Bernardo Aliaga, pesquisador chileno especialista em Tsunamis da Comissão Intergovernamental de Oceanografia, da Unesco.

O degelo das calotas polares, que aumenta o nível dos mares, pode contribuir para intensificar o estrago provocado pelas ondas de origem sísmica, segundo a Unesco. Uma pesquisa de 2018 feita por cientistas da Virginia Tech apontou que um acréscimo de menos de um metro no nível dos oceanos aumenta as chances de um tsunami provocar enchentes.

O último caso de tsunami no Mediterrâneo aconteceu em 2020, quando um terremoto na Ilha de Samos, na Grécia, que vitimou mais de 100 pessoas e fez prédios colapsarem, provocou uma das intensas ondas. Em 1979, um deslizamento submarino provocou um tsunami de mais de três metros em Nice, na França, que matou 12 pessoas. Há ainda registros de ocorrências na região registradas em 2017, 2003, 1956 e 1908.

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