Martha Rocha diz que hoje 'talvez não tivesse votado' em Brazão para o TCE

Alice Cravo
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Martha Rocha disputa prefeitura do Rio pelo PDT
Martha Rocha disputa prefeitura do Rio pelo PDT

RIO - Em sabatina no SBT nesta quarta-feira, a candidata do PDT à Prefeitura do Rio Martha Rocha afirmou que em uma avaliação mais atual “talvez não tivesse votado” no então deputado Domingos Brazão para conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2015. Brazão foi preso em 2017 na Operação Quinto do Ouro da Polícia Federal, que apurou desvios para favorecer membros do TCE durante a gestão de Sérgio Cabral.

— Naquele momento havia a vaga da Alerj, com dois candidatos. Naquele momento não havia nenhuma punição ao candidato Domingos Brazão. Votei, votei sim. Avaliando hoje, talvez não tivesse votado, mas naquele momento não havia disponível nenhuma questão que o acusasse, nenhum denúncia formal — rebateu Martha na sabatina.

Após a prisão, Brazão foi afastado do seu cargo no TCE. À época de sua eleição para conselheiro, o ex-deputado, que foi eleito por 61 dos 66 votos, era citado em uma ação de improbidade administrativa, foi acusado pelo Tribunal Regional Eleitoral de captação de sufrágio (compra de votos) por manter centros sociais e foi absolvido num processo de homicídio.

O desempenho da candidata do PDT à Prefeitura do Rio, Martha Rocha, na última pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, colocou a deputada no centro das ofensivas de adversários. A mesma crítica foi feita, por exemplo, pela ex-deputada estadual Cidinha Campos (PDT) em um vídeo com críticas à Martha, quando afirma que “uma delegada não pode ignorar a biografia de quem está votando”.

De acordo com o Datafolha, a candidata do PDT oscilou para cima no limite da margem de erro, de três pontos percentuais, e agora, com 13%, está empatada numericamente com Crivella. Paes oscilou negativamente dois pontos e segue na liderança, com 28%. A pesquisa também indica que Martha tem o melhor desempenho em um eventual segundo turno com Paes. Ambos empatam tecnicamente, com vantagem numérica da deputada, que teria 45% contra 41%.

Na sabatina, Martha também defendeu sua gestão à frente da Polícia Civil. Além de delegada, a candidata foi chefe da corporação. Opositores apontam que Martha não prendeu políticos nem nomes de relevância no mundo do crime.

— Vou relembrar que em menos de 60 dias nós esclarecemos o homicídio da juíza Patrícia Acioli e do Amarildo, que eu lamento não ter encontrado o corpo, mas apesar de tudo conseguimos fazer com que os autores desse crime estivessem presos, inclusive fora do Rio de Janeiro, em prisão federal. Reestruturamos as Delegacia de Homicídio. Eu trabalhei muito e saí da Polícia Civil com mais de uma dezena de ameaças — declarou,completando:

— Consulta os arquivos da Polícia Civil que vai ver que teve sim político e miliciano preso. O que gostam de dizer os adversários é porque querem testar a minha capacidade de enfrentamento. Quero acalmá-los. Nossa campanha está crescendo. Volto a dizer que tenho alegria de tudo que fiz na polícia e não andaria com escolta até hoje se eu não tivesse tido a conduta que tive à frente da Polícia Civil.

Propagandas e inserções na TV que tentam desconstruir adversários em crescimento nas pesquisas passaram a ser frequentes na reta final da disputa. Segundo o GLOBO mostrou nesta quarta-feira, em um dos vídeos do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), sem que ele seja citado, é lembrada a atuação de Martha como chefe da Polícia Civil na gestão de Sérgio Cabral, quando “não prendeu nenhum figurão corrupto da polícia ou da política”.

— Não tenho medo de fake news. Gostaria que as pessoas que fazem fake news pudessem botar seu rosto e não tentar fraudar e burlar a lei eleitoral. Já que eles gostam de fazer fake news, tenham coragem de apresentar o seu rosto. Nós estamos buscando na Justiça Eleitoral nosso direito de resposta — defendeu Martha.