Mary Sheyla conta que sua personagem em 'Todas as flores' é inspirada em Alcione e relembra teste: 'Amiga da igreja me preparou'

Ouvir Alcione desde criança porque a mãe é muito fã e agora prestar homenagem a Marrom na dramaturgia é especial demais. Mary Sheyla, a Jussara de “Todas as flores”, está vivendo essa emoção. Sua personagem, além de ser do mundo da música, tem a cantora, que completa 75 anos hoje, como referência até nas unhas e figurino.

— Quando me deram o desafio de prestar essa homenagem, fiquei um mês debruçada em vídeos dela, reparando no gestual, na maneira como ela se comporta no palco, se relaciona com o público, manuseia o microfone... — detalha a atriz, derretendo-se em elogios à musa inspiradora de seu papel: — Ela é uma diva. Que me perdoem as outras, mas não tem nada que se compare a Marrom.

Alcione, que entoa canções sobre desilusões amorosas, seria ainda a trilha perfeita para Jussara, que sofre com as traições de Oberdan (Douglas Silva). Para Mary, o canto foi um dos maiores desafios dessa homenagem, que já começou com tudo no teste.

— A música do teste foi “Você me vira a cabeça”. Eu até fazia aula de canto, mas na época estava parada. Foi uma amiga e irmã da igreja aqui do Vidigal, Edneia Bombom, que me preparou. Ela passou praticamente a madrugada comigo — recorda Mary, que nunca teve coragem de dar uma palinha nos cultos: — Sempre tive medo de pagar mico, me criticava muito. Mas essa novela está sendo libertadora.

Além de mais confiança, a personagem da obra de João Emanuel Carneiro no Globoplay é especial para a atriz, que tem 42 anos e mais da metade deles de carreira.

— Já tive papéis desafiadores. Mas fazer uma mulher de sucesso, vinda da comunidade... Bate diferente. Sou referência pra muita gente. Tem um pouco de mim nela. Eu vim do Vidigal, ela da Gamboa, e conseguimos sobreviver nesse mundo cão onde preto, pobre e favelado não têm vez. Não estou no patamar dela, rica e bem-sucedida. Mas ela soube sobressair. Talvez seja a personagem com que mais me identifico.

Coração preenchido

Outro desafio para a carioca é entender como Jussara consegue perdoar as traições:

— O perdão é uma atitude nobre, eu sou crente. Jesus perdoou a humanidade. Mas nesse caso, já virou cachorrada (risos).

Casada há 16 anos com Aldemir Silva, ela confessa que já teve suas desilusões no amor, e comemora não ter mais essa dor de cabeça:

— Meu marido é meu companheiro da vida, e o segredo é saber ouvir. Meus pais estão juntos há quase 50 anos e são inspiração. Não dá pra se aturar, tem que amar mesmo.

Na ficção, Jussara e Oberdan também são um casal que se ama e está junto há anos. E com o fogo da paixão aceso.

— Celinho (Leonardo Lima Carvalho) acha isso uma depravação, mas eu acho normal, natural. Eles são casados. E é legal mostrar esse casal que consegue manter isso. É tão raro um casamento duradouro — pontua a atriz.

A maternidade é outro ponto em comum de Mary com sua personagem. A atriz é mãe de Esther, de 13 anos, e de Maria Luyza, de 1 aninho.

— Maria foi uma grata surpresa, a tive com 41 anos. Já está bom de filhos — diz ela, cuja filha mais velha não perde um capítulo da novela: — Esther acompanha tudo, mas algumas cenas eu não deixo. Nas mais picantes, ela avança.

Alcione ganha musical pelos 50 anos de carreira

Além dos 75 anos, Alcione completa este ano cinco décadas de carreira. E para celebrar, “Marrom, O Musical”, espetáculo de Miguel Falabella idealizado por Jô Santana, chega ao Rio no sábado, no Teatro Cidade das Artes Bibi Ferreira (Av. das Américas 5300, Barra da Tijuca).

O Maranhão, estado natal da artista, é elemento chave no espetáculo: a história do Boi é revisitada e entremeada com a da cantora. Ansioso, Falabella conta:

— Alcione é minha amiga, mulher de atitudes e coragem memoráveis. Contar sua vida é mergulhar nas raízes de uma das mais ricas culturas populares, a maranhense.

As sessões acontecerão às sextas e sábados (20h) e aos domingos (18h). Ingressos a partir de R$ 40 em sympla.com.br.