Máscaras são eficazes contra a covid-19, ao contrário do que circula nas redes

Telão exibe tipos de máscaras permitidos e proibidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em 12 de janeiro de 2022. O equipamento voltou a ser obrigatório em aeroportos e aeronaves como forma de prevenir a covid-19 (Foto: Reuters / Roosevelt Cassio)
Telão exibe tipos de máscaras permitidos e proibidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em 12 de janeiro de 2022. O equipamento voltou a ser obrigatório em aeroportos e aeronaves como forma de prevenir a covid-19 (Foto: Reuters / Roosevelt Cassio)
  • Após a Anvisa anunciar a retomada da obrigatoriedade em voos e aeroportos para prevenir a covid-19, publicações têm contestado a medida

  • Usuários afirmam nas redes que o equipamento é ineficaz

  • Mas estudos científicos revisados por pares provam o contrário

A Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) atualizou na noite desta terça-feira (22) as medidas contra a covid-19 a serem adotadas em aeroportos e aeronaves. A orientação retoma a obrigatoriedade do uso de máscaras faciais nesses espaços.

Após a decisão, diversas publicações nas redes sociais têm contestado a instituição e a medida, afirmando que está comprovado que máscaras não funcionam para conter a disseminação do coronavírus. A informação, porém, não é verdadeira. Diferentes estudos revisados por pares atestam a eficácia do uso dos equipamentos no controle da doença.

Captura de tela de uma publicação que questiona a decisão da Anvisa contra a covid-19 e afirma que o uso de máscaras é
Captura de tela de uma publicação que questiona a decisão da Anvisa contra a covid-19 e afirma que o uso de máscaras é "comprovadamente ineficaz" (Foto: Twitter / Reprodução)

A decisão da Anvisa foi tomada nesta terça-feira (22) e passará a valer na próxima sexta-feira (25). A Agência informou que antes de definir a medida se reuniu com especialistas representantes da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), dentre outros. Os especialistas destacaram a necessidade da volta de medidas não farmacológicas de proteção, como o uso de máscaras no transporte público, em aeroportos e ambientes fechados.

Mas as máscaras são eficazes?

Ao contrário do que afirmam as publicações nas redes sociais, diferentes estudos científicos, revisados por pares, comprovam a eficácia do uso de máscaras para conter a disseminação da covid-19.

O uso desse equipamento de proteção em espaços públicos reduz a disseminação do SARS-CoV-2, conforme um artigo publicado pelos CDC dos EUA (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América). A instituição analisou dados do estado de Kansas nos EUA e identificou que a obrigatoriedade do uso de máscaras, somada a outras medidas não farmacológicas como distanciamento social e práticas de higiene, contribuíram com a redução da transmissão do vírus.

Um artigo da Jama (The Journal of the American Medical Association) que reuniu informações de mais de dez estudos científicos explicou que o aumento de informações disponíveis durante a pandemia de covid-19 permitiu concluir que o uso de máscaras é efetivo, especialmente para prevenir a disseminação do vírus por parte de pessoas infectadas. A publicação atesta também que máscaras reduzem o risco de exposição de pessoas sem a doença que utilizam o equipamento. "O benefício geral do uso de máscaras para a comunidade deriva de sua capacidade combinada de limitar a exalação e a inalação de vírus infecciosos", explicou.

No mesmo sentido, um estudo publicado em fevereiro de 2022 na revista científica PLOS ONE reafirmou a importância do uso de máscaras por pacientes infectados, assim como a adoção do equipamento como uma medida preventiva à transmissão viral.