Mascherano, um dos jogadores mais subvalorizados de sua geração?

Dois títulos da Liga dos Campeões. Cinco La Ligas. Quatro Copas do Mundo disputadas e 147 jogos por uma das maiores seleções do mundo. Mais de uma década brilhando em dois dos maiores clubes de futebol que existem. O currículo de Javier Mascherano é invejável.

É curiosa, no entanto, que aos 35 anos, o volante que virou zagueiro, raramente ganhe o reconhecimento que merece, tanto na Europa quanto na Argentina. El Jefecito está tentando acertar as coisas, ao menos com seu país, ao decidir encerrar sua carreira no Estudiantes de La Plata, após um período na China.

Mesmo no auge, Mascherano sempre foi uma figura subestimada. Seu famoso espírito de luta muitas vezes mascara uma inteligência e consciência em campo que o marcaram como uma estrela - sem mencionar sua versatilidade.

O chefe do meio-campo do Liverpool em 2007, depois de uma transferência bizarra do West Ham, não parecia ter chances de marcar seu nome na história do Barcelona.

Por melhor que Masche fosse naquele momento, com o trio Sergio Busquets, Xavi e Iniesta estava dominando o meio de campo, sua passagem pelo Camp-Nou poderia ter sido um desastre. Mas o capitão da Argentina era destemido.

Em uma das transformações mais bem-sucedidas do futebol na última década, ele se voltou para a zaga, formando uma parceria brilhantemente eficaz com Gerard Piqué, para aliviar a dor da aposentadoria de Carles Puyol.  

Ele era o incansável que fazia o papel perfeito para Piqué, avançando para interromper os ataques adversários antes mesmo de começarem, fazendo o Barça recuperar a bola.  

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(Foto: Getty Images)

A nível internacional, demonstrou uma graça semelhante ao deixar o cargo de capitão em 2011, respeitando o desejo do treinador Alejandro Sabella de dar a braçadeira a Lionel Messi. Mas continuou como um líder não oficial para a seleção argentina, colocado seu corpo em jogo - como fez literalmente na semifinal da Copa do Mundo de 2014, quando sofreu um rompimento no ânus. 

Apenas Lionel Messi, Phillip Cocu e Daniel Alves estão a frente de Mascherano como os estrangeiros que mais vezes jogaram pelo Barcelona. Mas sua saísa para o Hebei China Fortune provocou uma reação negativa entre os torcedores, e sua última aparição no cenário mundial, na Copa do Mundo de 2018, logo depois de deixar o Camp Nou, acabou em uma nota negativa, exausta e ultrapassada, conforme Mbappe e a seleção francesa passavam pela Argentina a caminho das oitavas de final.

"Talvez eu devesse ter parado [de jogar pela seleção] depois da final com a Alemanha [em 2014], quando tudo ainda era colorido", disse ao Fox Sports no começo de 2019, seis meses depois do fatídico 4x3 que significou o fim de sua passagem pela seleção.

"Mas eu não sou assim. Eu queria continuar jogando pela seleção". 

“Mas eu aceito, porque o futebol é isso: de um tudo para o outro tudo vai de bem a mal. O futebol me deu muito mais do que eu merecia".

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(Foto:Getty)

A decepção na Rússia foi demais para Mascherano. A decisão de Jorge Sampaoli de colocá-lo para armar o jogo, depois de anos de bons jogos na zaga, foi uma decisão suicida. Mas ele não perdeu nada de sua astúcia tática e pode provar seu valor defensivo em sua nova equipe.

O retorno de Mascherano à Argentina, para o Estudiantes, o vinculou a vários rostos conhecidos. Seu colega na Copa de 2010, Juan Sebastian Veron é o presidente de seu novo clube, enquanto o técnico Gabriel Milito jogou com ele no Barcelona e na seleção.

Em campo, ele encontrou o goleiro veterano Mariano Andujar, substituto de Sergio Romero nas Copas de 2010 e 2014, e Gonzalo Jara, que estava na seleção chilena que venceu Masche duas vezes, em duas finais de Copa América.

Quase 15 anos se passaram desde que o jogador de 35 anos jogou pela última vez na Primera Division Argentina. Foram bons anos para ele: títulos no Brasil e na Espanha.

Ele poderia ter terminado sua carreira de maneira confortável nos Estados Unidos ou no Qatar, ou ter continuado na China. Mas o objetivo de Mascherano é a Superliga e a perspectiva de levar o Estudiantes ao topo.

Se ele conseguir dominar a defesa de Pincha, começando na próxima semana com sua possível estreia contra o San Lorenzo, o imenso e indomável poderá começar a receber os aplausos que o iludiram injustamente durante grande parte de seu tempo no topo.