'Masculinidade tóxica' reduz expectativa de vida de homens na América, diz OPS

Por Alina DIESTE
Uma equipe médica verifica os sinais vitais de um homem na sala de emergência do Centro de Emergência da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, em 7 de julho de 2017

A "masculinidade tóxica" reduz expectativa de vida de homens na América, indica um estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) publicado nesta segunda-feira às vésperas do Dia Internacional do Homem.

Em todo o continente, os homens vivem 5,8 anos a menos que as mulheres devido a comportamentos associados às expectativas sociais de seu gênero, afirma a OPS em seu novo relatório "Masculinidades e saúde na Região das Américas".

"Existe uma estreita relação entre masculinidade e saúde. Os papéis, normas e práticas impostas socialmente aos homens exigem ou reforçam sua falta de autocuidado e até negligenciam sua própria saúde física e mental", aponta o relatório.

A identidade de gênero se reflete em problemas diários específicos, como a adoção de riscos ocupacionais ou de direção, o sexo desprotegido, o consumo excessivo de álcool ou a falta de ajuda em face de distúrbios emocionais.

Esses comportamentos "machistas" contribuem para maiores taxas de mortalidade por suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, além de doenças não transmissíveis, dizem os especialistas.

Segundo o relatório, um em cada cinco homens na região morre antes dos 50 anos, um número que eles consideram "alarmante". No caso das mulheres, esse percentual só é alcançado quando completam 60 anos.

Homens e mulheres morrem de forma semelhante por problemas respiratórios e diabetes. Mas existem causas importantes de morte relacionadas à maneira como a masculinidade é exercida: violência interpessoal (na qual se destacam os homicídios, à taxa de sete homens por mulher), trauma devido ao trânsito (três por um) e cirrose hepática causada pelo álcool, que é duas vezes maior entre os homens do que entre as mulheres.

- Afrodescendentes e indígenas, mais afetados -

Os homens morrem nas Américas principalmente devido a doenças cardíacas, violência interpessoal e trauma devido ao trânsito, mas outras causas de morte surgem predominantemente dependendo da área.

No Caribe, destaca-se a Aids, enquanto no caso latino-americano há mais cirrose hepática e violência interpessoal, e na América do Norte se destacam a doença de Alzheimer e outras demências, além de suicídio e câncer de próstata, cólon e reto.

A discriminação com base na idade, etnia, pobreza, tipo de emprego e sexualidade agrava ainda mais esses resultados negativos para a saúde dos homens, segundo o relatório.

A população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais), bem como os afrodescendentes e os indígenas apresentam mais problemas de saúde do que o restante da população. Esses homens morrem mais e têm uma menor expectativa de vida.

O estudo enfatiza que essa análise da saúde masculina na perspectiva de gênero seria "impensável" sem o antecedente do feminismo e exige "mobilizar a vontade política e os recursos necessários" para contemplar as necessidades de homens e mulheres.

"O termo gênero foi assumido como sinônimo de 'mulher'. As masculinidades tornaram-se invisíveis ou naturalizadas, e as diferenças e desigualdades entre ambos os sexos e em cada um deles não foram abordadas", alerta.

Como remediar o impacto negativo das "masculinidades tóxicas"?

Algumas das recomendações incluem melhorar a divulgação de dados, desenvolver políticas públicas e programas específicos de saúde, remover barreiras ao acesso aos cuidados, promover educação em saúde, capacitar trabalhadores do setor e direcionar a prevenção para crianças e jovens.