Massacre da praça da Paz Celestial na China ecoa "lembranças vivas de violências repetidas", 33 anos depois

O que restou da "Primavera de Pequim" depois que a memória coletiva foi sequestrada por anos de censura, após o massacre de 1989 na praça da Paz Celestial? Trinta e três anos depois da tragédia, celebrados neste sábado (4), a revolta parece ter retornado aos campi estudantis nesta primavera de 2022, segundo o correspondente da RFI na China, Stéphane Lagarde.

Imagens de jovens reunidos e cantando slogans nas universidades de Pequim e de Tianjin circularam nas redes sociais nas últimas semanas. Para Marie Holzman, escritora e jornalista especializada em sinologia, presidente do coletivo Solidariedade China, passados 33 anos do massacre da Praça da Paz Celestial ("Tian An Men"), "as lembranças permanecem vivas porque o sofrimento infligido à população chinesa e as feridas abertas são repetitivos e múltiplos", disse, em entrevista à RFI.

Ela cita como outro exemplo de violência contra os chineses, o recente confinamento imposto aos moradores de Xangai, para frear o aumento de casos da Covid-19, que "provocou dramas indiviuais e foi, aparentemente, inútil".

"Recordemos, principalmente, as manifestações pró-democracia reprimidas com violência em Hong Kong, em 2019, que sufocaram o desejo de liberdade dos moradores da cidade", destaca a especialista francesa. "A esperança de democracia e liberdade que havia em Hong Kong foi praticamente destruída", constata. Segundo ela, mesmo se a China mudou muito ao longo desses 33 anos, "o regime não mudou e continua sendo uma ditadura, um governo violento".

Assim, os habitantes de Hong Kong recorrem a subterfúgios: vestir-se de branco em vez de preto para indicar seu luto ou apenas dar um "passeio" pelo parque. Alguns compraram ingressos de cinema para fornecer um álibi em caso de prisão.


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