Mathias Cormann, novo secretário-geral da OCDE e pesadelo dos ambientalistas

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O novo secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann

O ex-ministro australiano da Economia, Mathias Cormann, que assumiu a secretaria-geral da OCDE nesta terça-feira (1º), é um fervoroso defensor do livre comércio, o que gerou polêmica sobre sua posição quanto às mudanças climáticas.

Cormann, o funcionário que foi por mais tempo ministro da Economia de seu país, tornou-se aos 50 anos sucessor do mexicano Ángel Gurría, à frente dessa organização internacional com sede em Paris.

Nascido na Bélgica, em setembro de 1970, ele se formou nesse país em direito e é fluente em francês, inglês, alemão e flamengo. Ele emigrou para a Austrália em meados da década de 1990, onde ingressou na política.

Vice-presidente do Partido Liberal de centro-direita, acabou assumindo as rédeas do Ministério da Economia a partir de 2013 a 2020.

O australiano é a primeira pessoa da região da Ásia-Pacífico a alcançar a posição de liderança da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e assume o cargo em meio a uma das piores recessões globais já registradas.

Fiel à sua reputação, o novo secretário-geral defendeu nesta terça a economia de mercado e a competição, que considera "inevitáveis" e chama de "um poderoso motor de progresso, inovação e melhoria dos padrões de vida".

Usando uma linguagem cautelosa, ele disse que queria estabelecer "a melhor relação possível" com a China. Mas "teremos que defender nossos valores quando necessário", acrescentou durante sua primeira coletiva de imprensa.

Sobre o meio ambiente, ele se limitou a afirmar que "cada vez mais países prometem atingir a neutralidade de carbono o mais rápido possível e no máximo em 2050".

"O desafio que enfrentamos é como tornar esses compromissos uma realidade e atingir nosso objetivo de forma economicamente responsável e aceitável pela opinião pública, sem deixar ninguém para trás", declarou.

Dezenas de grupos ambientalistas alegam que Cormann não deveria ter sido escolhido como secretário-geral da OCDE, fazendo menção às suas declarações chamando de "extremista" a meta de emissões líquidas zero de CO2 até 2050.

O ex-ministro também fez campanha contra o esquema de precificação de carbono que visa reduzir as emissões da indústria australiana, que foi revogado em 2014.

A sua candidatura ao cargo de liderança da OCDE causou surpresa, embora no final tenha conseguido desbancar Cecilia Malmström, ex-comissária europeia do Comércio, e outros oito candidatos.

Fez isso adotando um discurso mais ecológico, para seduzir uma OCDE ávida por priorizar as questões climáticas ao lado do desenvolvimento econômico.

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Recentemente, assegurou que as mudanças climáticas são um dos principais desafios da OCDE, juntamente com a educação e a "redução das diferenças de política fiscal".

Seu maior desafio imediato será realizar uma reforma abrangente da tributação multinacional, que o G20 confiou a essa organização.

As discussões, que já acontecem há anos, foram reavivadas nas últimas semanas pelo posicionamento do governo americano de Joe Biden em favor de uma alíquota mínima de 15% sobre o lucro das empresas em todo o mundo.

Apesar de ter passado mais de uma década no Parlamento australiano, onde foi responsável pela pasta de Finanças por sete anos, Cormann não é muito conhecido em seu país.

No entanto, ele tem uma influência notável no Partido Liberal no poder e foi fundamental para a vitória do atual primeiro-ministro, Scott Morrison.

Durante a campanha, Cormann gerou polêmica na Austrália quando se soube que estava usando um avião da Força Aérea para viajar à Europa e defender sua candidatura.

No entanto, o governo australiano alegou que o uso dessa aeronave era necessário porque se Cormann tivesse usado aeronaves comerciais, ele teria sido exposto à covid-19.

A OCDE trabalha para impulsionar o crescimento econômico e o comércio internacional, e seus 38 países membros respondem por 60% da produção econômica mundial.

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