Mau uso de antibióticos em pandemia cria bactérias resistentes, alerta Opas

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Médicos tratam paciente com Covid em hospital da Holanda

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - O uso excessivo de antibióticos e outros antimicrobianos durante a pandemia de coronavírus está ajudando as bactérias a desenvolverem uma resistência que tornará estes remédios ineficazes ao longo do tempo, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta quarta-feira.

Vários países das Américas, incluindo Argentina, Uruguai, Equador, Guatemala e Paraguai, estão relatando disparadas de infecções resistentes a medicamentos, que provavelmente contribuem para o aumento da mortalidade de pacientes de Covid-19 hospitalizados, disse a agência de saúde.

"Vemos o uso de antimicrobianos aumentar em níveis inéditos, com consequências potencialmente graves", disse a diretora-geral da Opas, Carissa Etienne. "Corremos o risco de perder os remédios com os quais contamos para tratar infecções comuns", explicou ela em um briefing virtual.

Os antimicrobianos estão sendo mal usados fora de ambientes hospitalares, e medicamentos como ivermectina e cloroquina estão sendo utilizados como tratamentos sem comprovação contra a Covid, apesar dos indícios fortes de que eles não beneficiam pacientes da doença, disse Etienne.

O uso de ivermectina e cloroquina é incentivado ativamente por algumas autoridades da região, como o presidente Jair Bolsonaro.

Dados de hospitais da região mostram que de 90% a 100% dos pacientes de Covid-19 hospitalizados receberam um antimicrobiano como parte do tratamento, enquanto só 7% deles teve uma infecção secundária que exigiria o uso de fato destes remédios, segundo Etienne.

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