Mauro Vieira assume Itamaraty e reforça discurso de reconstruir diplomacia brasileira

BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  02-01-2023, O MInistro das Relações Exteriores Mauro Vieira. O presidente Lula recebe o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, em encontro bilateral no gabinete do Palácio do Itamaraty. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 02-01-2023, O MInistro das Relações Exteriores Mauro Vieira. O presidente Lula recebe o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, em encontro bilateral no gabinete do Palácio do Itamaraty. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diplomata Mauro Vieira tomou posse como chanceler do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite desta segunda-feira (2), em cerimônia no Palácio do Itamaraty.

Em seu discurso, Vieira agradeceu à ex-presidente Dilma Rousseff, na gestão de quem também foi ministro das Relações Exteriores, até a abertura do processo de impeachment contra a petista. O novo chanceler também falou em "reconstrução do patrimônio diplomático" e em reconduzir o Brasil "ao grande palco das relações internacionais

Ao contrário da maior parte das cerimônias de transmissão de cargo, o ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), Carlos França, esteve presente no ato.

Vieira é diplomata de carreira, com vasta experiência comandando os principais postos do Brasil no exterior. Foi embaixador na Argentina e nos Estados Unidos, por exemplo.

Apadrinhado de Celso Amorim, principal referência do PT nas relações exteriores e a quem também dirigiu um agradecimento, ele tem exposto como uma de suas prioridades o reforço dos laços com a América Latina, em particular no âmbito de fóruns internacionais menosprezados pela gestão Bolsonaro, como a Unasul e a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Ele foi escolhido chanceler para o segundo governo de Dilma e deixou o cargo apenas com o impeachment. Na ocasião, foi duramente criticado por políticos do PT por ter organizado e participado da cerimônia de posse de José Serra (PSDB), seu substituto, escolhido por Michel Temer (MDB) para o cargo. Isso porque petistas defendiam e ainda defendem a tese de que Dilma foi vítima de um golpe liderado por seu antes vice.

As críticas foram reforçadas porque Vieira assumiu na sequência como embaixador do Brasil na delegação do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York --posto de destaque da carreira--, o que sinalizava que ele não cairia no ostracismo ou se tornaria vítima de perseguição, como aconteceu com outros petistas em demais postos da Esplanada dos Ministérios.

Já na gestão Bolsonaro, no entanto, o cargo seguinte de Vieira foi como embaixador do Brasil na Croácia, este sim um posto de pouco destaque.

Também presente à cerimônia nesta segunda-feira, o agora ex-chanceler Carlos França defendeu sua gestão e evitou tratar do isolacionismo internacional adotado pelo último governo. Disse que, após conversa com o ex-mandatário, foram estabelecidas três "urgências" que foram enfrentadas: a sanitária, ligada à pandemia de Covid; a econômica; e a climática.

França ressaltou o papel da diplomacia do último governo na compra de vacinas contra o coronavírus, apesar das críticas que recaíram sobre Bolsonaro por retardar a compra de imunizantes.

Inicialmente marcada para as 19h (de Brasília), a cerimônia de posse de Vieira atrasou porque o presidente Lula se encontrou com chefes de governo e de Estado que viajaram ao Brasil para prestigiar a o petista.