May pede ação conjunta de UE e Reino Unido para iniciar conversas comerciais pós-Brexit

Por Alastair Macdonald e Jan Strupczewski
Primeira-ministra britânica, Theresa May, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica 20/10/2017 REUTERS/Francois Lenoir

Por Alastair Macdonald e Jan Strupczewski

BRUXELAS (Reuters) - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, reiterou nesta sexta-feira seu desejo de realizar uma movimentação conjunta com a União Europeia para iniciar as negociações de um acordo comercial depois da desfiliação britânica do bloco, conhecida como Brexit.

Falando a repórteres ao chegar para uma cúpula com ex-países soviéticos em Bruxelas, May disse que conversará com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ainda nesta sexta-feira, sobre as "negociações positivas que estamos tendo, de olho na parceria futura profunda e especial que quero com a União Europeia".

"O que é claro para mim é que precisamos seguir adiante juntos", acrescentou. "Isso é para que tanto o Reino Unido quanto a União Europeia passem para a próxima fase".

A UE quer que May melhore suas propostas, inclusive a financeira, antes de começar conversas comerciais. Já a premiê disse querer garantias de conversas comerciais antes de fazer uma nova oferta.

May debaterá os planos para o Brexit com Tusk às 16h30 locais, disse o escritório do presidente da cúpula, confirmando a ocasião das conversas.

Autoridades do bloco estão esperando sinais de que May está pronta para fechar um acordo sobre as finanças e outros temas para concluir a primeira fase das conversas sobre a saída britânica no mês que vem, e com isso obter o assentimento da UE para negociar um pacto comercial futuro.

Os negociadores da UE não esperam um grande gesto de May já nesta sexta-feira. Ela disse que quer uma garantia de tratativas comerciais iniciais caso aumente a oferta financeira de seu país. Autoridades da UE dizem que estão trabalhando em um "relatório conjunto" que confirmará em público os resultados da primeira fase da barganha.

May se reunirá com o ex-premiê polonês Tusk depois que ele presidir uma cúpula da UE em Bruxelas na qual seis antigos vizinhos soviéticos, incluindo a Ucrânia, debaterão sua parceria com a UE. May afirmou que o Reino Unido continuará comprometido com a segurança europeia depois que deixar a UE.

Além do quanto o Reino Unido pagará ao bloco ao se desligar em março de 2019 para cobrir compromissos pendentes, os líderes da união querem termos melhores de Londres para os direitos de cidadãos do bloco que vivem em solo britânico depois do Brexit e mais detalhes sobre como este evitará uma "fronteira dura" problemática com a Irlanda do Norte.